A Saga de Edgard Pinto Neves
Título:
A Saga de Edgard Pinto Neves
Parte I
Do início da vida de meus pais ao início de minha Juventude
Subtítulo:
Um homem
simples, temente a Deus e vencedor
Com Deus
tudo é possível
Prólogo
Quando jovem, alguém me disse: Para eu ser eterno na terra como humano, porquanto somos
eternos espiritualmente, deveria plantar uma árvore, ter filhos e escrever um
livro.
Árvores
plantei inúmeras, mãe, quando tinha uma árvore, comprada ou ganha, pedia-me
para plantá-la, dizia que minha mão era boa.
Filhos os
tive em parceria com minha querida esposa, Nerias, são três, Denise, a
primogênita, mãezona. Edgard Júnior, nosso segurança e a Nadejda, nosso
carrapato.
Dos nossos três filhos vieram os genros e noras, da Denise o Paulo, do Junior a Priscila, da Nadejda o Miltom, Miltinho, da Thamiris o Leandro.
Vieram os netos e bisnetos; da Denise, os netos, a Thamiris, o Theodoro e a enteada(neta) Yuli, do Júnior, os enteados(netos) João Vitor e Ronald, da Nadejda, as netas, Mylena e Naomy; os bisnetos, filhos da Thamiris, Leônidas e Lyandra, também os bisnetos, filhos da Yulli, Ana Júlia, Pedro Paulo e Bernardo, do Júnior filhos do João Vitor, o Noah.
Os genros e
noras, Paulo, Milton, Priscila, Leandro.
Dos livros,
escrevi alguns artigos que foram publicados, um no Jornal Batista, “Os
deficientes que Deus usou”; o outro artigo foi publicado no livro comemorativo
do aniversário dos quarenta anos do Clube dos Subtenentes e Sargentos do
Exército, “Sargentos que fizeram história”.
Participei
de um concurso literário, comemorativo ao Patrono da Faculdade, FRASCE, Egas Munis, com uma monografia, consegui o segundo
lugar, enquanto o primeiro lugar fugiu ao assunto sugerido, "Monografia da vida e dos ensaios dos estudos de Egas Munis", patrono da faculdade, fizeram um apanhado sobre a necessidade de criação, aprimoramento e estudos de oficinas para tratamento em Terapia Ocupacional, opção sugerida por um professor.
Participei, também de um concurso literário patrocinado pela antiga JUERP, meu livro, “O jugo desigual”, foi classificado, mas somente um seria publicado, o ganhador foi um português.
Cumprindo o
que me foi dito para ser eterno, ou seja, para que a minha passagem aqui na
terra não fosse esquecida, pus-me a escrever minha história de vida. Uma breve biografia.
Minha Infância
Meus Pais, Meus Avós, Tios e Tias.
Nasci de uma linda, maravilhosa e abençoada família. Meu pai, Itamar Pinto Neves e minha mãe, Débora Pinto Neves.
A história
de meu pai, Itamar Pinto Neves, antes dele casar-se com minha mãe, Débora Pinto
Neves, a memória é muito escassa, o que eu sei, foi contado por ele ou por
minha mãe.
Seu pai,
Domingos Pinto Neves, não o conheceu, faleceu antes dele nascer, sua mãe, minha
vó, Marieta, a conheci e ela conheceu meus filhos.
Era uma
mulher alta e esbelta, casou-se pela segunda vez, com um funcionário da Marinha
do Brasil. Morava numa bela casa na rua Maria Amália, 838, penúltima casa da rua, lado direito quem sobe vindo na rua Uruguai na Tijuca, gostava muito
de ir à casa de minha vó, quando eu era pequeno, ficava extasiado com o banheiro
de sua casa, parecia uma nave interplanetário, ela morava num sobrado, quando o
padrasto de meu pai faleceu, eu e meu irmão, Itinha, era o apelido dele, pois seu nome era o mesmo de meu pai Itamar,
não parava quieto, lembro-me bem, era pequeno, algumas senhoras arrumavam a mesa para chegada do corpo, onde seriam colocado o caixão, meu
irmão pendurou-se na borda da mesa, caiu e abriu o supercílio, foi levado para
o hospital para levar pontos.
O trajeto que fazia para chegar a casa de vó, pegava o bonde na esquina da rua Comari com a estrada do Monteiro, chegava na estação do trem em Campo Grande, pegava o cacareco, este o apelido do trem, havia outros, o Marta Rocha e o Vanderlei Cardoso, saltava na Estação de Engenho de Dentro, essa Gare, permita-me o galicismo, é uma réplica das estações alemãs, fazia a transferência para o trem paradouro, Deodoro/Central do Brasil, o ponto inicial deste trem é em Deodoro, outra Gare do mesmo tipo da Engenho de Dentro; saltava na Estação de Engenho Novo, descia as escadas e pegava o bonde para Praça Sans Peña, saltava na rua Uruguai, subia a rua Maria Amália, as vezes saltava num ponto da Barão de Bom Retiro, antes da rua Uruguai e subia por uma rua, entrava na rua Maria Amália por cima, quase junto a caixa d'água, onde havia um campo de futebol, esta caixa, servia águas aos moradores da Tijuca, seguia até a casa de minha vó, a penúltima do lado direito quem sobe, após a caixa d'água, existia uma chácara, a Chácara do Céu, onde um boi bravo dava carreira em todos, por ventura, adentrasse nela, atualmente faz parte do circuito de passeios ciclistas, porém fazem advertências sobre o perigo da favela existente, há muitos anos não vou ali, faria uma visita ao local, comentei com uma pessoa o desejo de visitá-lo, sugeriu-me não passar ali, não é mais seguro ir lá, está tomado pela favela do Borel.
Da casa de
minha vó descortinava-se uma paisagem exuberante, via-se a Central do Brasil, o
Pão de Açúcar, o Cristo Redentor e o cinema Olinda na Praça Sans Peña, hoje não
há nenhum cinema na Praça, o primeiro que deixou de existir, foi Olinda,
depois, o América, o Carioca, o Metro e o Art Palace, fui em quase todos, menos no Olinda
Quando
amanhecia a vida tornava-se cheia de cores e som agradabilíssimos, ocorria uma revoada de periquitos, ou maitacas, passavam numa algazarra de
alegria e felicidades pelo amanhecer, depois a tarde o retorno, vinham numa
algaravia estridente, falavam dos acontecimentos do dia ocorrido com cada
um deles.
Havia, além deles, tico tico, tizius, canários, coleiros e em grande quantidade biquinhos de lacre
e muitos outros.
Gostava de
vê-los e apreciá-los, eram da floresta da Tijuca.
No pequeno
quintal da casa de minha vó, havia um cacto com uma flor, perguntei-lhe que
flor era aquela, disse-me que era boa para a saúde.
Soube agora
do seu nome, pitaya e dos seus benefícios, copiei.
"Seus
principais benefícios incluem: Proteger as células do organismo, pois é
rica em antioxidantes que protegem contra o câncer;
Ajuda na
digestão devido à presença de sementes na polpa;
Combater
doenças cardiovasculares, pois as sementes contêm ácidos graxos essenciais como
os ômega 3;
Regular o
intestino pois tem oligossacarídeos, que são fibras que combatem a prisão
de ventre;
Regular a
pressão arterial, por ser uma fruta bastante rica em água que estimula a
produção de urina, reduzindo o acúmulo de líquidos no organismo;
Combater a
anemia e osteoporose por conter vitaminas e minerais importantes como
ferro, fósforo, vitaminas B, C e E.
Essa fruta
tem sabor suave e adocicado, sendo facilmente agradável a todos
os paladares".
Vó teve três filhos naturais, Edgard Pinto Neves, o mais velho, pai deu-me o nome dele em sua homenagem; Itamar Pinto Neves, meu pai e Tião, meio irmão, seu nome de batismo, Sebastião da Conceição Sant'anna, filho do padrasto de meu pai; o padrasto, desconheço seu nome; vó adotou três, Maria, Eudino e Antônio.
Vó morava com meu Tio, Tião e o meu meio irmão, Tito, nome João Batista da Conceição Santana, filho de meu pai com Maria
A rua Maria Amália inicia perpendicular à rua José Higino, corta a rua Uruguai, termina na altura da Chácara do Céu, após a caixa d'água, próximo à esquina da rua Maria Amália com a rua José Higino existia a fábrica de cerveja, cervejaria Brahma, lá em cima na rua Maria Amália e na casa de vó, sentíamos o aroma da cerveja sendo produzida na fábrica, mais tarde, quando era diretor Administrativo no CSSEx, Clube dos Subtenentes e Sargentos do Exército no Rocha, fui convidado conhecer a fábrica, tomei shopp na teta, ou seja, numa bica antes dele ser engarrafado e tornar-se cerveja após a pasteurização
Dificilmente vó saia de casa, só saia em companhia de Maria, mãe de Tito, filha adotiva de vó, morava próximo, porém tinha os afazeres de sua casa, mas sempre a visitava e ajudava em alguma coisa, era casada com um maquinista de trem, ele contava-me, começou como engraxate, o Cara que lubrifica os trilhos de desvios dos trens, depois foguista, colocava lenha na fornalha da Maria Fumaça para aquecer a água, dar vapor e pressão na fornalha, movendo a locomotiva e por fim maquinista, não sei se foi de locomotiva a vapor, diesel ou trens elétrico.
Vó gostava quando a visitava, arrumava-se e íamos ao ponto cem réis, esquina da rua Uruguai com Barão de Bom Retiro, para sua fezinha no jogo de bicho, sempre jogava na cobra, rasteira, como chamava, íamos, também, na feira na rua Garibaldi, na hora da xepa, quando a feira está terminando e os preços são mais em conta.
Nos dias de
festas religiosas, uma dela a de São Sebastião, vó chamava-me para ver a procissão do Santo, o sino da Igreja de São Sebastião tocava durante a procissão, ficávamos
lá em cima na Maria Amália, enquanto a procissão com vários garotos de calção vermelho a acompanhava, passava na rua Garibaldi mais abaixo, eu
ficava admirando aqueles garotos, a semelhança do Santo em suas vestimentas.
Na festa de Corpus Cristo, a mesma coisa, só que a procissão levava a imagem de Cristo na cruz deitado, simbolizando o Cristo morto, era o que minha vó dizia, era católica e deu-me a imagem da Nossa Senhora de Fátima, perdeu-se junto com minha primeira medalha, quando mãe faleceu.
Meu tio era
alfaiate, solteiro, um “bon-vivant”.
Era auxiliado por costureiras, ele media o tamanho e o tipo do terno que o
cliente desejava, cortava as peças, marcava com o giz de alfaiate o local da costura a ser feita e entregava as peças às costureiras, uma delas, apareceu grávida, vó contou-me que ela bebeu muita
água na cascatinha no Alto da Boa Vista, viu um boto rosa e apareceu grávida.
Meu tio
gostava de músicas, possuía uma vitrola e uma coleção de disco de variados
cantores, sua música preferida, Cabelos Brancos de Herivelto Martins, eu
gostava de ouvir várias musicas e cantores, uma delas, criada por Tito Madi, minha preferida era, “Quero-te assim”. Cantei várias vezes para minha querida esposa, quando namorado e casado, mesmo desafinado como sou!
Meu tio, por ser só, saia com meu meio irmão, Tito. Iam a várias festa, shows, certa vez encontrei ele numa festa junina na Universidade Rural no quilômetro 32 em Campo Grande, levou-me com ele para casa de vó. Ele era muito bom. Convidou-me uma vez para irmos ao Maracanã assistir o jogo Flamengo e Vasco, foi a primeira vez que fui ao Maracanã, isso em 1953, tinha 13 anos, foi empate de 3x3, sendo o Flamengo nos anos 53,54,55 tricampeão carioca, Tião chegou jogar no time amador do Flamengo, era halterofilista, pegou um golpe de ar, uma corrente de ar e teve afundamento no tórax, possuía coração de atleta, coração grande.
Uma vez fui ao INCOR, Instituto Nacional do Coração, por curiosidade fazer uns exames do coração, fiz vários exames, os médicos descobriram que eu tinha um sopro, mas não conseguiam saber a causa, marcaram uma junta médica para analisar o caso, falei com o meu tio, ele falou-me: "Por que você está procurando doença, esqueça isso". Foi o que eu fiz. Ele, além de trabalhar como alfaiate, fazia alguns bicos, era corretor de títulos do clube Enchanted Valey no Alto da Boa Vista na Tijuca; trabalhou como técnico de RX no antigo hospital dos Marítimos, hoje, Hospital do Andaraí, certa vez, vindo do Alto da Boa Vista pela rua Conde Bonfim, a pé, foi assaltado em frente ao Colégio São José, levou um tiro no peito sobrevivendo, foi levado por amigos à clínica Granado, esquina da rua Almirante Cochrane com a Praça SansPeña, não retiraram o projetil por estar muito próximo ao coração, se o fizessem, levariam a morte, o hospital dos Marítimos não o recebeu, somente sindicalista eram atendidos naquela época. Mais tarde teve um infarto, andava sempre com o remédio isordil no bolso do paletó, um dia ao sentir uma dor no peito não encontrou o remédio no bolso do paletó e no desespero veio a falecer.
O meu meio irmão, Tito, João Batista da Conceição Santana, era músico, possuía carteira emitida pelo sindicato dos músicos, tocava vários instrumentos musicais, pandeiro, violão, bateria, bongô, tímpano, trompete, o mesmo que piston, acompanhou Josephine Baker em sua tourner no Brasil, também Ângela Maria em Buenos Aires, fez parte da troupe de Colé, tocou no Teatro Recreio e Carlos Gomes, também na boate dancys day e outros. Certa vez, tocou no Teatro Carlos Gomes com a orquestra Tabajara de Severino Araujo em homenagem a Carlos Gomes a Ópera, "O Guarani", na ocasião, tocou tímpanos, dois enormes tambores, interessante que tocava por pauta musical. Estive presente junto com meu tio, o Tião, após apresentação da orquestra meu irmão levou-nos conhecer o palco do Teatro e os fundos, onde ficava as cortinas, teve no local um pequeno coquetel. Outra vez, fui junto com ele levar sua bateria na boate Dancys Day. Não cheguei a frequentar, na época era menor, mais tarde não fui, por motivo de segurança, não havia uma segunda saída e sempre tive ojeriza a fumaça de cigarro, pois a boate era no sub solo ali na Cinelândia.
Foi taxista, possuía um automóvel Packard, foi motorista do ônibus inglês, o cara quebrada, fazia a linha Praça Sans Peña/Largo do Machado, casou, foi morar em São Paulo, teve um filho, o Titinho, criou uma transportadora, depois teve um AVC, faleceu de acidente de carro.
Meu filho, ao vê-lo tocar o violão durante o aniversário de meu tio, pediu sua mãe ensiná-lo a tocar, aprendeu rápido e muito bem, toca violão, cavaquinho, banjo, guitarra e baixo. Hoje exímio guitarrista, toca em várias Igrejas.
Meu pai conheceu minha mãe em Niterói, morava no Barreto, quando seu irmão mais velho faleceu e foi sepultado no cemitério de Maruim, seu nome Edgard Pinto Neves, pai deu-me o nome dele em sua homenagem, era jornalista, possuía uma máquina fotográfica Rolleiflex, uma caneta Park com a pena em ouro e uma carteira com as inicias de seu nome e suas beiradas revestidas em ouro, faleceu de doença pulmonar aguda, galopante.
Pai
contou-me que num dia de finado foi ao cemitério visitar o túmulo de seu irmão, meu tio,
chegou depois da hora de visita e o cemitério estava fechado, pulou o muro,
tentou acender as velas que levava, tremia de medo, gastou todos os fósforos,
não acendeu nenhuma delas, nisso levou as mãos para a vela do vizinho do túmulo de
meu tio, o medo era tanto, disse-me: “Ouvi uma voz, larga minha vela”. Saiu em desabalada carreira,
nunca mais foi ao cemitério.
Aceitei um
conselho, troquei o café por um chá de camomila.
Voltando as
nossas lembranças.
Minha mãe contou-me como namorou meu pai, ela trabalhava num laboratório em Niterói, após o expediente apanhava um bonde para retornar à casa, meu pai, quando a avistava, pulava no estribo do bonde e arrastava uma asa para ela, minha mãe era muito bonita.
Nesse lengalenga acabaram casando e tiveram cinco filhos, eu, Edgard, meus irmãos apelidaram-me de Dá, até hoje minha irmã assim me chama; Itamar, Itinha; Theófilo, o Theo; Rita de Cássia, nossa rosa num jardim de cravos e Jorge Domingos, o caçula; o Dico; sendo eu o mais velho.
Meus pais diziam ter eu nasci no 814 da rua Maria Amália na Tijuca, o que consta em minha certidão de nascimento, só a data do nascimento está errada, diz 04/04/1942, porém a data certa de meu nascimento é 27/11/1940, esse arranjo, disseram-me, foi para meu pai não pagar multa por ter deixado de registrar-me na data certa do meu nascimento.
Eu caçoava de meus primos, por terem eles nascidos em São Gonçalo, chamava-os de papa goiaba, eu carioca da gema, meus primos contestavam, diziam que eu havia nascido em Neves, São Gonçalo, no Covanca, mostravam até a casa do meu nascimento, pode ser tenha algum fundamento, não creio, foram folguedos de crianças,/desavenças pueris.
Contou-me, minha mãe que eu brincava no quintal de casa, na Maria Amália 814, onde consta o meu nascimento, junto com uma menina, nos fundos
havia um precipício de uns quinze metros de altura e dava para a rua Carvalho Alvim, lá embaixo tinha uma fábrica de macarrão, não sei se ainda existe.
Disse-me que a garota me empurrou, tinha menos de cinco anos, caí lá de cima,
nessa fábrica havia uma caixa d'água, a tampa era de zinco, caí em cima dela,
fiquei no hospital quinze dias em estado de coma.
Depois disso mudamos para Rocha Miranda, estrada do Sapê, era uma casa de parede compartilhada e não tinha chuveiro, tomávamos banhos de bacia ou balde. mãe contou-me também, era pequeno, colocando um copo vazio na parede escutava tudo que se dizia do outro lado, naquela época mãe era uma verdadeira hacker.
Meu pai comprou, pelo IPASE, uma casa em
Campo Grande, mãe contou para mim e meus irmãos, Itinha e Theófilo que a casa tinha
chuveiro, isso eu me lembro, tinha cinco anos, ficou marcado.
Quando
mudamos e chegamos na casa, aos gritos de felicidades, eu e meu irmãos, Theófilo era de colo, tiramos a
roupa e fomos tomar banho de chuveiro, delícia maravilhosa!
Farei uma
pequena pausa, fiquei emocionado
Já
instalados na nova casa, fomos conhecer o local.
A nossa casa
ficava numa rua arborizada, tendo o jenipapo em maior quantidade, há também
flamboyant, nós fomos os primeiros a chegar no local, na rua em que morávamos existia uma casa antiga, era da Dona Celuta, houve um caso interessante, eu era adolescente,
uma moradora dessa casa ficou com medo de dormir sozinha e pediu-me para dormir
na casa dela, na primeira vez minha mãe deixou, depois proibiu-me de dormir lá.
São muitas casas e várias ruas, a rua Comari, a de entrada, dá o nome ao bairro, inicia na estrada do Monteiro, corta a estrada Cambota, a rua Porã e termina na praça bastante arborizada, a praça de Comari, ela possui, circundando-a em todo seu entorno, apartamentos de dois andares, o térreo somente lojas, na ocasião havia a sede do Comari Atlético Clube, onde ocorriam vários bailes, eu não frequentava, mas meu irmão frequentava e minha mãe, quando sabia que ele lá estava, adentrava no salão e tirava-o de lá, ele ao sair e não ficar mau com os amigos, passava o braço sobre os ombros dela e saia dançando, era supermãe.
Havia muitas lojas em funcionamento, não lembro-me o nome de todas, a Padaria do seu Rogério, ficava na esquina da rua em que morávamos, rua Coxito Granado, próximo onde hoje está o INPS, junto à esquina, logo na subida da rua Comari com a rua Iturbides Esteves, o INANPS, hoje o SUS
Um pouco depois do início de nossa estada no Bairro, foi criado um cinema, frequentei, assisti o filme: "Tico Tico no Fubá" com Tônia Carrero e Anselmo Duarte.
A rua Iturbides Esteves era a segunda alternativa de entrada no bairro, inicia na Estrada da Cambota, corta a rua Comari, segue, passa perpendicular ao término da rua em que morávamos, a Coxito Granado e termina na rua Peter Pan e em frente ao riacho Cabuçu, chamávamos rio morto.
No fim da rua Peter Pan, havia um campo de futebol,
contíguo ao rio morto, Rio Cabuçu, seu apelido dava-se por receber os dejetos das casas de
vários bairros, diziam que recebia do hospital Rocha Faria, não acredito,
tomávamos banho nele e saímos cheios de sanguessugas, o campo de futebol era do Comari
Atlético Clube, meu pai sempre levava-me para ver jogos nesse campo junto com ele, certa vez, já adolescente, joguei nesse campo, não sei como está hoje.
Pai faleceu aos 38 anos de idade, AVC hemorrágico, trabalhava na praça quinze, na Marinha, morávamos em Campo Grande, acordava cedo e chegava tarde em casa, tínhamos pouco contato com ele, mas em suas horas vagas tirava tempo para ficar conosco.
Soltava
pipa, as pipas dele eram aquelas grandes, bonitas, havia um Cara, morava na Iturbides Esteves, o Duda, não sei seu nome, quando via a nossa pipa no ar, vinha com a pipa dele e cortava a nossa, pai
deixou de soltar pipa e foi para o balão de festa junina, confeccionava em papel apropriado, cortava no tamanho desejado, colava, seus balões eram do tipo charuto e tangerina, fazia bucha trançada
com breu, parafina e embebia tudo com querosene, na hora de soltá-lo, minha mãe
subia ao telhado para esticá-lo, meu pai enchia-os de ar, depois colocava fogo, quando começavam a soltar da mão, ele os deixava subir, ficávamos embevecidos olhando sua subida e quando, por motivo qualquer pegava fogo, era aquele ohhh! Ficávamos ali até o balão sumir de vistas.
Certa vez, pai ao soltá-lo, minha mãe estava no telhado, o balão subindo, soltando pingos
incandescentes de breu e parafina, todos nós olhávamos para o alto vendo ele subir, meu irmão,
Itinha, passou por baixo do balão e um pingo daqueles caiu em sua cabeça e o
cabelo dele pegou fogo, minha mãe quando viu, tocou horror, quase caiu lá de
cima, conseguiram apagar o fogo no cabelo dele.
O cabelo do
meu irmão era encaracolado, castanho/aloirado.
Meu pai
sempre que podia passeava conosco, levava-nos a Quinta da Boa Vista, no
zoológico, as vezes na praia da Pedra de Guaratiba e no campo de futebol perto
de onde morávamos na Comarí, Campo Grande.
Na Quinta da
Boa Vista íamos ao zoológico, lá havia um local em que as crianças passavam por
baixo de uma tábua, era régua que media a altura para a gratuidade, se a nossa altura não ultrapassava a régua, estabelecia a
gratuidade, não pagavam a entrada, eu sempre paguei, depois íamos ao Museu.
A praia era
uma festa. Na época podia-se tomar banho, hoje está tomada de lama, Pedra,
Praia das Garças, Dona Luiza e Sepetiba, isso se deu após a construção do Porto
em Sayh.
Uma vez no cinema de Campo Grande estava passando Tarzan, o homem das selvas, pai nos levou para vê-lo, éramos pequenos e fomos barrados, pai conversou com o gerente e permitiu a nossa entrada.
Vamos falar
um pouco de minha Vó Emiliana.
Vó era
casada com Theófhilo Ferreira Pinto, teve quatro filhos, Débora Pinto Neves,
minha mãe; Maria Isabel Pinto de Freitas, Silas Ferreira Pinto e Emanuel
Ferreira Pinto, sendo este último ainda vivo com a graça de Deus.
Não tenho
muita certeza, porém pelos comentários de mãe e vó, acho que vó era natural de
Muriaé, cidade de Minas Gerais, limítrofe do Rio de Janeiro.
Mãe contava
que era natural de Cantagalo, nasceu em 28/03/1922. Eram
andarilhos em decorrência de meu avô ser professor de EBD, Escola Bíblica Dominical e Comportor, vendedor de Bíblias, livros e revistas evangélicas, viajaram e moraram em várias cidades do interior do Rio de Janeiro, Miracema, São Fidelis,
Itaperuna, Bom Jesus de Itabapoana, São Gonçalo, Niterói e Rio de Janeiro.
Quando eu
era pequeno vó morava em Rocha Mirando, mais tarde em Campo Grande, no Rio de
Janeiro.
Meu avô era Professor , Diácono, Comporto e Evangelista, houve alguns fatos hilários ocorrido com ele, um
deles, um amigo, morava próximo, faleceu e meu avô foi ao seu velório,
chegou à noite, ao colocar a mão no trinco da porteira, uma outra mão, fria, pousou sobre sua mão e uma voz cavernosa perguntou quem era, tocou horror, meu
avô ficou petrificado, o outro também, depois tudo voltou ao normal.
Um outro dia, minha mãe,
vó, minha tia e meus tios se aprontaram para irem a um casamento, perguntaram
ao meu avô se ele ia também, disse que sim, mas antes mataria um frango, prepararia
e após comê-lo, iria, elas disseram que não precisava, porquanto no casamento
haveria muitos comes se bebe, elas foram, meu avô ficou, matou o frango, preparou e comeu, quando
ia saindo para o casamento, chegou a turma, ele ficou surpreso com o retorno tão rápido, eles
disseram que no casamento não tinha nada e estavam com fome, perguntaram pelo
frango, meu avô comeu ele todo. O prevenido vale por dois.
A minha vó morava junto com meus tios, Silas, estudava no Seminário Teológico Batista Betel do Rio de Janeiro, não se cuidava direito, veio a falecer de tuberculose; Manel, o nome dele, Emanuel, moravam à rua Traipu em Rocha Miranda. Ele tinha quase a nossa idade, uns dez anos a mais perturbávamos, certa vez foi tomar banho, eu e meu irmão, Itinha, subimos no banco para vê-lo tomar banho, ele ficou uma arara, correu atrás de nós e nós em gargalhadas dizíamos que tínhamos visto ele pelado, mas fora as brincadeiras, tínhamos uma boa convivência, tanto é que ele quando casou, convidou-me para entrar na Igreja com a noiva dele representando o pai dela, minha tia Zeni, Manuel e Zeni ainda estão conosco, ele com 89 anos, fica muito feliz quando vou a sua casa em Campo Grande no bairro São Jorge, ele e tia Zeni tiveram três filhos, Ana Cláudia, Alexandre e Cesar e vários netos, dois de Ana Cláudia, Joyce e Rodrigo, um de Alexandre e dois de César.
O tio Emanuel
é um excelente sujeito, ensinava-nos muita coisa dentre elas, o rádio galena.
“O radio
Galena é chamado também de ” receptores
de rádio sem alimentação “, radio a cristal,
receptor do bigode de gato, etc. Ele é o mais simples receptor de
rádio, popular nos primeiros anos do
rádio, retornando ao auge na segunda guerra. Ele não precisa de bateria ou
fonte de alimentação e funciona a partir da energia da ondas de rádio captada
por sua antena, um longo fio.
O nome de Rádio Cristal vem de seu componente principal, conhecido como detector de cristal, originalmente feito com um pedaço de galena. Mas vários tipos de detectores foram usados, na segunda guerra foi muito usado lâmina de barbear, atualmente é usado diodos de germânio ou silício.
A propriedade de retificação dos cristais foi descoberta por Karl Ferdinand Braun em 1874, mas só em 1904 que os detectores de cristal foram usados em receptores de rádio. O rádio de cristal foi o primeiro tipo de receptor de rádio amplamente utilizado e polarizado, principal usado durante a era da telegrafia sem fio. Vendido aos milhões ou feito em casa na década de 20, esse rádio era barato e confiável, tornando assim o rádio acessível para toda a população. Já que os rádios de fábrica eram muito caros”. (http://blog.novaeletronica.com.br/)
Por motivo do falecimento de meu pai, não tínhamos onde ficar, vó Emiliana nos acolheu, meu tio Eudino, casado com Ana, ela era filha de uma ex-escrava, não foi correto conosco no momento mais difícil de nossa vida.
Por esse motivo não frequentei as aulas no Colégio João Proença, fui reprovado, por falta na segunda série do primário, hoje seria do fundamental, foi um dos momentos mais frustrante de minha vida, quando no fim do ano no encerramento do ano letivo, minha turma recebeu prêmios e eu não recebi, perguntei minha professora o porquê não ganhei presentes, ele disse-me por não ter sido aprovado, foi um baque para mim. Isso ocorreu 1950, tinha nove anos.
Porém mãe, sempre mãe, socorreu-me em minha tristeza, morávamos com vó, em Rocha Miranda, matriculou-me no Colégio Nossa Senhora da Paz no mesmo bairro.
Minha vó,
materna, disse-me certa vez que um cara foi alimentar-se na casa dela, ela fez
batata frita, eu sentei à mesa e fiquei olhando o Cara comendo, quando terminou de comer, eu abri o
berreiro e disse: "O vai embora comeu toda a batata", vó teve que fazer
batata frita para mim.
Contou também que um camarada foi comer na casa dela, na roça não se come a mesma quantidade que comemos na cidade, são pratos que dá para esconder-se atrás deles, o Cara começou a comer, ouviu--se um barulho, como algo houvera partido, o Cara levou incontinente a mão ao abdome e gritou que o havia estourado, ao verificar viu, fora o cinto que partiu, certificando ser o cinto, voltou a comer
Deus nunca me desamparou, fez-me ganhar o meu primeiro prêmio nos estudos.
Houve no
Colégio Nossa Senhora da Paz em Rocha Miranda um campeonato de matemática, estava na segunda série do primário, hoje fundamental, não sei se no currículo atual é feito as quatro operações, dentre muitos exercícios, chegamos ao que
selecionaria os vencedores até o terceiro lugar, uma divisão em que o divisor
era de quatro números, consegui o terceiro lugar e ganhei a minha primeira
medalha, depois de mãe falecer, ela se perdeu.
Mãe
colocou-me num emprego numa farmácia, a dona era testemunha de Jeová, na
sexta-feira ela fazia o almoço de sábado e no sábado esquentava no álcool.
O primeiro
pagamento comprei um tamborim, mãe deu crise e fez-me, trocá-lo, o segundo
comprei um anel, repetiu a mesma coisa, mãe deu crise e fez-me, trocá-lo.
Mais tarde soube, quem pagava o meu salário, era minha mãe, ela empregou-me, para eu aprender a trabalhar e
não ficar atoa.
A farmácia
em que trabalhei, não me lembro o nome, ficava na rua Pacheco da Rocha em Bento
Ribeiro.
Participava dos cultos da Primeira Igreja Batista de Bento Ribeiro, pastoreava na ocasião o Pastor José Lins de Albuquerque, professor de francês, também frequentávamos a Primeira Igreja Batista de Rocha Miranda, o seu Pastor Jogli Alves Feitosa.
Batizei-me em 1950, como tinha nove anos, houve necessidade de um consenso entre os líderes da Igreja, pois minha idade não era compatível com as exigências para o batismo, para eles não possuía discernimento em relação a Jesus, fizeram-me um teste, passei, fui aceito e batizado na Primeira Igreja Batista de Bento Ribeiro.
Do outro lado da estação de Bento Ribeiro havia o cinema, não saia de lá, principalmente se houvesse filme do Gordo e Magro, gostava muito, minha filha, a Naná, acordava-me às cinco horas, para vê-los, acho que vi toda série de filmes deles.
Quando terminava o culto matinal da Primeira Igreja Batista de Bento Ribeiro, íamos a pé para casa de vó pela rua Pacheco da Rocha, havia um pequeno morro que subíamos sempre ao meio-dia, nesse horário, na rádio nacional, irradiava o programa “A voz das Multidões”, primeiramente a estrela do programa era Francisco Alves, com a morte deste, Orlando Silva ocupou o lugar dele, ouvíamos em sua voz “Lábios que eu beijei”, “A Deusa da minha rua” e outras.
Certa vez ia acompanhado de duas moças da Igreja, vizinhas de vó e com idade bem superior a minha, perguntei se uma delas queria me namorar, disseram-me que eu teria que comer muito feijão.
Passado o período de restruturação em casa de vó, voltamos para casa em Campo Grande, para dura realidade da vida.
Mãe conseguiu costurar roupa para a SAARA, na rua da Alfândega.
Ela ia com o Theófilo para ajudá-la a levar e trazer as roupas, vinha cortadas, em casa ela costurava e montava as roupas, tinha um prazo para entrega-las, na data da entrega, voltavam à rua da Alfândega, entregavam as prontas e pegavam outras para costurar e montar.
Eu, Itinha, Rita e o Jorge ficávamos em casa, eu era responsável pela alimentação e os meus irmãos pequenos, Rita e o Jorge, o Itinha me ajudava na comida.
Mais tarde fez o SENAC e cozinhava para casamentos e nas horas vagas trabalhava como garçom.
A Nerias elogiava a comida que ele fazia, mas era terrível, mãe as vezes tinha que amarrá-lo à máquina de costura para não ir para a rua, quando ia para rua, vez enquanto, vinha com o chifre quebrado ou um braço, lá ia, mãe e ele, para hospital. Ele era mais próximo do Theófilo, eu era meio destacado, caretão.
Nessa época eu tinha, se não me engano, 11 anos, Itinha 9, Theófilo 7, Rita 5 e Jorge 3, vez outra reclamávamos com mãe a quantidade e o tamanho da carne que ela colocava para comermos, ela, então, falava para nós, comermos toda a comida e deixássemos a carne para o final, assim sentiríamos o sabor da carne.
Mãe matriculou-nos no Colégio Moacir Bastos, estudei até a quarta série do primário, tínhamos uma professora de francês, ela era francesa, quando chegava à sala de aula cumprimentava-nos em francês: "Bonjour les enfant", éramos obrigado responder em françês, respondíamos: "Bonjour Madame", depois ficávamos em pé e cantávamos a primeira estrofe do hino francês, La Marseillaise:
"Allons! Enfants de la Patrie!
Le jour de gloire est arrivé!
Contre nous de la tyrannie,
L'étendard sanglant est levé! (Bis)
Entendez-vous dans les campagnes
Mugir ces féroces soldats?
Ils viennent jusque dans vos bras
Égorger vos fils, vos compagnes
Aux armes, citoyens!
Formez vos bataillons!
Marchons, marchons!
Qu'un sang impur...
Abreuve nos sillons!"
Fiz o adicional ao ginásio no Colégio Campo Grande, na rua Olinda Ellis e a primeira série do ginasial no Raja Gabaglia,
E como as coincidência e o imponderável me perseguem, estava tranquilamente sentado a minha carteira na sala de aula, o professor não estava, a porta da sala aberta, senti vontade de espirrar, nisso passa a cozinheira com uma xícara de café, nesse mesmo instante espirrei, foi um deus nos acuda, a mulher voltou e deu-me uma lição de moral, eu sem culpa.
Com a inauguração do Colégio Batista de Campo Grande, nas salas da Primeira Igreja Batista de Campo Grande, matriculei-me no Colégio Batista, ficava na rua Ferreira Borges, contíguo à linha férrea.
No Colégio Batista de Campo Grande foi muito bom, alguns colegas de turma eram da classe de intermediários, adolescentes, da Igreja Batista, tínhamos um certo vínculos de amizades.
Na minha turma havia uns garotos que jogavam futebol, eu não era muito familiarizado com a bola, possuía algum tato para conseguir jogos para o grupo, sendo assim, possuía lugar garantido no time, colocavam-me para jogar na lateral esquerda, não tinha muito jogo de cintura, porém no mano a mano era mais eu, tipo back de fazenda.
Esses jogos eram muitos legais, principalmente quando jogávamos no antigo campo de futebol do Campo Grande, as garotas iam lá torcer pela gente, era uma festa, gritos, cânticos, quando fazíamos um gol era aquela algazarra, mas somente iam ao campo do Campo Grande, aos outros não.
Quando as coisas correm bem, há sempre o risco de alguma coisa acontecer de ruim quebrando a continuidade da rotina.
Foi o que aconteceu, marquei um jogo para um determinado sábado, estava no Colégio, por sinal era na Igreja, esperando a turma para irmos jogar, chegaram duas garotas que eram irmãs, para uma delas arrastava uma asa, convidaram-me para ir junto com elas e alguns intermediários a Faculdade Federal Rural do Rio de Janeiro, no quilômetro 32, visitar suas instalações e passar o dia lá.
Ponderei que esperava o grupo para ir jogar bola. Sabem como é mulher, gostam de mais de futebol, instaram para ir com elas, aceitei o convite e fui com elas, dei um grupe nos caras .
Bem para mim tudo ficou numa boa, pensava eu, para eles não, esperaram o momento certo para dar o troco, não demorou muito. Contratei um jogo oficial, ofício e tudo, com o time da escolinha de futebol de Comari, no dia aprazado não apareceu ninguém, assim ficamos no empate, ali acabou o time de futebol da minha turma.
Tínhamos bons professores, professora Leia, Português e Inglês, professor Hélios, parece-me, era irmão da Professora Leia, lecionava matemática, mais tarde foi diretor do Colégio Raja Gabaglia.
Havia também um professor, muito legal, dava aula de história, só que era alérgico a giz, certa vez, pediu a um aluno para apagar o quadro negro, o cara agiu com maldade.
Apagou o quadro negro com violência para soltar bastante partículas de giz, ainda bateu com o apagador no quadro negro, enfumaçou a sala de giz, não contente soprou as partículas sobre o professor, ele era alérgico a giz.
A turma não aprovou o que ele fez, fomos inteiramente contra a sua atitude.
Participei pelo Colégio das festividades de sete de setembro, na primeira vez empunhei o arco principal, o do meio, do símbolo das Olímpiadas, representando os cincos continentes, em outro sete setembro fui Guarda da Bandeira Brasileira e a empunhei com garbo.
Após algumas
desilusões, no trabalho, nas vendas e na escola, fui reprovado na segunda série
primária, creio que foi em decorrência da morte de meu pai, fiquei muito
triste, os colegas que foram aprovados ganharam presentes, enquanto os não
aprovados, não ganharam, a Diretora tentou me consolar e incentivar-me, mas
fiquei desolado.
Voltando no tempo, consegui um emprego numa sapataria de um membro da Primeira Igreja Batista de Campo Grande, por ser menor não usei a faca, nem a suvela, ela serve para furar o couro que irá servir de sola do sapato, por esse furo passa o cordão com cera apropriada e costura-se a nova sola ao sapato, usava cola de sapateiro para cobrir a costura, uma abertura feita no couro, pintava a sola e dava o brilho com a cera, mas certa vez, dormir com o sapato na mão, o Cara não gostou e despediu-me..
Havia próximo uma barbearia, onde cortava meu cabelo, escreveram na parede ADVA - Associação de defesa da vida alheia.
Certa vez, um camarada chegou contando uma história e ao explicar sobre uma rua só para pedestres, soltou uma pérola, caímos na gargalhada, disse ele: aquela rua de pederastra.
Rimos bastante.
O Colégio Moacir Bastos mudou-se para a rua Engenheiro Trindade em Campo Grande, tornou-se um complexo universitário. Uma vez ao sair do Colegio, ele ficava quase no início da rua Cel. Augudtinho, era uma descida, o bonde quando entrava nessa rua vindo da rua Cesário de Melo, vinha com certa velocidade, eu para fazer bonitinho, cismei de pegá-lo andando, fiz errado, era para pegá-lo de frente, corri lateralmente a ele, não tive pernas para acompanhar sua velocidade, caí, Deus socorreu-me na minha imprudência, não permitiu minhas pernas ficar em baixo das rodas do bonde, não tive nenhum ferimenyo..
Voltando a Comari, não havia cinema, somente o clube Comari, onde vez enquanto, um baile ocorria, já citei que o Itinha vire e mexe lá estava, mãe quando sabia ia buscá-lo, ele, para não ficar por baixo dos amigos, abraçava mãe e saia dançando com ela.
Cinema só em Campo Grande, então um morador da rua Isturbides Esteves comprou uma máquina e passava filmes em sua casa, fui ver um filme, era com o humorista Colé Santana, não sei se era Bras Cuba, memória póstumas de Bras Cuba, houve um momento de terror, eu fiquei impressionado, a partir dali nunca mais vi filme de terror.
Mais algum tempo depois, era adolescente, foi inaugurado um cinema próximo a padaria de seu Rogério, as cadeiras eram uma fileira compacta, a largura do assento era tão estreita, apertada que acho que foram feitas para manequim 36.
O filme que fui ver, era a biografia romanceada de Zequinha de Abreu, autor do clássico musical Tico Tico no fubá, os atores que interpretavam o drama eram Ancelmo Duarte, Tônia Carreiro e Marisa Prado.
Um breve resumo do filme.
Extraído do Google.
"Filho do farmacêutico, Zequinha trabalha como coletor de impostos, mas o seu verdadeiro interesse é a música. Quando um circo chega à cidade, ele conhece a bela Branca. Na estreia do circo, a apresentação é interrompida por uma tempestade. Zequinha fica na festa dos artistas e, então, compõe de improviso e toca ao piano a sua canção "Tico-Tico no Fubá", inspirada no som ritmado de um monjolo que observara em seu caminho. Zequinha está noivo de Durvalina, mas não esconde sua atração por Branca".
Não tinha muitos amigos, na Igreja, o João Martins, o Jair Frazão, na rua em que eu morava, o Neuzinho, o Belino e o Carlinho, com João bebi a minha primeira cachaça, ficamos zonzo, fomos medindo a estrada da Cachamorra, eu ia para um lado e ele para o outra, depois encontrávamos no meio da estrada, e tudo continuava outra vez, até chegarmos num bar, ficava na esquina da estrada da Cachamorra com a estrada que ia para casa dele, a dos Cablocos, alguns amigos dele disseram-nos que havia culto na casa de seu pai, para onde íamos, bebi uma água tônica e fomos para sua casa, quando estávamos próximo, um diácono da Igreja, o Mangueira, nos viu chegar, sem a mínima condições de assistir o culto, levou-nos para um quarto longe do evento e obrigou-nos a só sair quando todos fossem embora. Aprendi nadar no rio que passava atrás da casa dele, as vezes chegava cedo a sua casa, o pai dele ordenava a mim e eles, limparmos os pés de laranjas do sítio, uma vez aproximou de nós o cavalo deles, estava sem os arreios apenas com uma corda no pescoço, pediram-me para montá-lo, montei, deram um tapa na anca dele, saiu desembestado por entre os laranjais, dei sorte parou perto, pediam-me para almoçar com eles, era um senhor rango, a entrada uma sopa de legumes, depois o prato principal.
Uma vez saímos da Igreja, eu, ele e um outro amigo, não me lembro o nome, fomos a Quinta da Boa Vista, compramos a passagem do trem ida e volta, era um cartão que o fiscal picotava.
Soltamos em São Cristóvão, o João perdeu o ticekt da passagem, passamos a procurar, chegaram oito garotos e começaram a procurar conosco, um deles gritou: "achei!", o João perguntou-lhe: "Cadê?"
O garoto fez um gesto obsceno, pra quê, João partiu para cima dele, os colegas dele, foram defendê-lo e nós o João, eram três contra oito, foi briga de malandro, dança ao redor, ninguém bate, ninguém apanha. Depois perdi o contato com ele, soube mais tarde de seu falecimento.
O Neuzinho era membro da Igreja Congregacional em Campo Grande, onde fiz alguns bons amigos, frequentava com eles retiros de carnaval em Mazomba, Itaguaí, no sítio de um vereador membro da Igreja, também em festa no abrigo e orfanato na Pedra de Guaratiba.
O Belino era filhinho de mamãe e vivia doente, certa vez, quando seus pais não estavam em casa, chamou-me para jogar futebol de botão, sempre jogávamos, mas nesse dia, abriu uma garrafa de vinho do pai, bebemos alguns copos, lembrou-se que o pai havia comprado especialmente para bebê-lo, tocou horror, o que fazer e o que ele fez, colocou água, álcool e açúcar.
O pai dele ao beber o vinho ficou bravo e brigou com ele, ele, muito do esperto, colocou a culpa em mim, o pai dele, seu Oliveira, fez queixa para minha mãe, contei para mãe o que ocorreu e tudo ficou por isso mesmo, mãe não dava trela para queixa contra nós.
Fazia o mesmo que pai, certa vez, fizeram queixa de meu irmão ao meu pai, ele tirou a correia na frente da pessoa que fez a queixa, levou meu irmão para o quarto e mandou ele chorar, enquanto batia com a correia na cama.
O Carlinhos não era bom das ideias, era leleu da cuca, esquizofrênico, estudava muito, foi o primeiro colocado das escolas estaduais do Rio de Janeiro, ganhou uma bolsa de estudo numa Universidade de Engenharia, mas o médico proibiu dele estudar algum tempo.
Então, ficava só comigo mesmo, ia visitar minha tia em São Gonçalo ou vó na Tijuca.
Aqui
terminarmos a primeira parte de minha infância e adolescência, iremos para a segunda parte, o
início da minha adolescência.
Antes, faremos uma visita a minha tia em São Gonçalo ainda durante a infância.
por ter que trabalhar durante o dia, fui obrigado a deixar o Raja Gabaglia e fui estudar a noite no Veiga de Almeida na São Francisco Xavier, em frente ao Colégio Militar, fui colega de turma e carteira junto com Erasmo Carlos.
Nós tínhamos
uma princesinha, a Rita, linda como ela só.
Destacou-se
de todos nós pelos seus estudos, enquanto nós íamos aos trancos e barrancos,
ela formava-se no normal como professora, depois a faculdade.
Foi
convidada para um projeto de ensino em Muriqui, após o período que ali passou,
tomou posse, como diretora, na escola no Amapá, da mineradora que explora
minério no estado.
Algum tempo
depois, retornou ao Rio, inaugurou uma escola própria.
Hoje, continua
sendo muito bonita e bastante alegre, com sua inconfundível risada.
Mantém-se
entre sua casa em Campo Grande e a outra em Muriqui.
Sempre que
preciso de um conselho a procuro.
Íamos
crescendo e as dificuldades aumentavam.
Alguns
amigos me sugeriram procurar o português da padaria para vender pão, fui procurar,
quem me atendeu foi o sócio do dono da padaria, deu-me a oportunidade, falei
com mãe, não gostou muito, mas me liberou.
No outro
dia fui até lá e o português, muito
esperto, me vendeu um monte de treco, lá fui eu levando um cesto com 40 pães,
acompanhado por um séquito, meus irmãos e garotos de minha rua, eu era de
primeira viagem e não conhecia os macetes de venda, comprei o pão a 1,20
cruzeiros, na padaria era vendido a 1,40 e na rua a 1,80, eu vendi a 1,40 e
para o meu azar choveu, molhou alguns pães, retornei à padaria, o português
separou os pães que não molharam, enviou para o forno e os que molharam, me
cobrou, sobrou para mim 1,70 cruzeiros.
Cheguei em
casa, mãe subiu nas tamancas, foi lá tirar satisfações, não sei o que
aconteceu, não deixou mais eu voltar a vender pão.
Mais tarde
esse português foi assaltado e empurrado do trem em movimento, caiu entre os
dormentes do trem numa passagem sob os trilhos no Encantado próximo a Gama
Filho e morreu.
Eu nasci na
Maria Amália na Tijuca e o Theófilo, a nossa linda princesinha, a Rita e o Jorge em Campo Grande.
O nascimento do
Jorge me lembro, era noite, estávamos acordados e elétricos, pai nos reuniu na
sala, disse para ficarmos quietos que a cegonha estava para chegar com o neném
e com o nosso alvoroço ela podia ir embora, sem deixar o neném. Ficamos juntos
e quietos, lembro-me que a sala estava a média luz.
Lá para as
tantas, houve barulho no quarto e choro do neném, todos nós, até o pai, saímos
correndo para a ver a cegonha, não a vímos, estava com pressa, deixou o neném e
foi embora.
Pela manhã
conduzi a doula, na época era chamada de parteira, até o ponto do bonde,
reclamou bastante do lugar por ser longe.
Pai teve um
embate com minha vó e meu tio, ambos queriam dar o nome ao neném, meu tio
queria que fosse o nome dele, Sebastião, meu pai disse para ele que homenageava
os que haviam morrido, ele estava vivo. Minha vó, a mãe de meu pai, Dona
Marieta, uma esbelta mulher, queria o nome do Santo de devoção, São Jorge, pai
queria colocar o nome do pai dele, chegaram a uma solução, a criança levaria o
nome do Santo e do pai dele. Jorge Domingos.
Para a minha mãe
o Natal era uma festa, depois da ceia pedia a todos nós que colocássemos o
sapato ao pé árvore de Natal, para quando o papai Noel passasse, deixasse o
nosso presente, assim fazíamos e pela manhã era uma festa.
Num dia, depois
do Natal, ia eu e meu pai pela estrada do Comari até a do Monteiro, havíamos
passado a estrada da Cambóta, levava uma espingarda que havia ganho no Natal,
um garoto aproximou e ele elogiou a espingarda, porém veio a pergunta fatídica,
quem havia me dado. Eu na maior inocência do mundo, disse que foi papai Noel.
Parece que
naquele instante um raio caiu em mim e no meu pai, o garoto fez um escândalo e
uma grande galhofa, meu pai, coitado, fez uma cara triste e disse para mim que
papai Noel não existia e a espingarda foi ele que havia me dado, a partir
daquele dia papai Noel foi abolido de nossa vida.
Um dia meu pai
me chamou e ordenou-me ir ao Centro de Campo Grande para comprar legumes e
verduras num caminhão que ficava estacionado próximo à estação do trem.
Mãe, a
princípio, não queria deixar, eu era muito novo, quando meu pai faleceu, eu não
tinha dez anos, mas acabou deixando.
Foi uma senhora
aventura para um garoto com menos de dez anos.
Campo Grande
crescia rapidamente e torna-se-ia uma
mega cidade.
Nessa época, o
transporte, era servido por bonde, no local que morávamos a via era para Monteiro,
Pedra de Guaratiba, Ilha e Correia, havia outra que ligava a estação de Campo
Grande ao Rio da Prata. Campo Grande possuía excelentes escolas, tanto públicas
quanto privadas. Um hospital Rocha Faria.
Bem!
Lá fui eu,
interessante que só havia uma via de trilhos para a circulação dos bondes,
havia alguns desvio que permitia a livre circulação.
O bonde em que
eu estava parou no desvio em frente ao Sassipã, uma torrefadora e distribuidora
de café.
Havia um outro
mais famoso, ficava em frente à casa do Adelino Moreira, Nelson Gonçalves, vez
enquanto, cantava na pérgula da piscina dessa casa, o desvio era o da língua da
sogra.
O bonde
continuou o seu resfulengar.
Havia muitos
terrenos baldios e o bonde seguia seu curso, passamos em frente à Igreja
Presbiteriana, saímos da estrada do Monteiro, entramos na Cesário de Melo, do
lado direito a Sociedade musical dez de maio, mais a frente à Igreja Metodista,
do lado esquerdo um grande terreno baldio encharcado de águas pútridas da chuva,
criadouro de mosquitos, hoje um grande mercado.
Continuando, do
lado esquerdo o Corpo de Bombeiros e do lado direito o hospital Rocha Faria,
passamos em frente a Rua Olinda Élis onde está o Colégio Campo Grande, seguindo
em frente, passamos pela escola Municipal Venezuela, saímos da Cesário de Melo
e descemos a rua Cel. Agostinho e do lado direito numa elevação o antigo
Colégio Moacir Bastos, logo na descida no lado esquerdo a Igreja Matriz de
Campo Grande. Igreja Nossa Senhora do Desterro.
Ainda descendo e
do lado esquerdo o Mercado, continuo a travessa do Cirindó, esse mercado ligava
a rua Cel. Agostinho com a rua Cel. Barcelos Domingos. Quase chegando ao fim da
rua Cel. Domingos a rua Viúva Dantas.
Chegamos ao
final da viagem.
O caminhão de
verduras e legumes ficava na saída da estação do trem, nessa a passagem para o
outro lado da linha férrea era por passagem de nível, muita gente morreu ali,
fizeram o acesso por túnel para a estação do trem e para os carros o viaduto
Negrão de Lima.
Comprei o que
tinha que comprar, não me lembro o quê.
Começou a chover
forte.
Uma observação,
o trem, antes de irmos para Campo Grande era puxado por locomotiva a diesel,
nós, eu, minha mãe, meus dois irmãos, Itinha e Teófilo, viajamos no dia da
inauguração da circulação do trem elétrico, o Cacareco, depois vieram, o Marta
Rocha e o Vanderlei Cardoso.
Bem!
Voltando a nossa
narrativa, quando fui apanhar o bonde, chovia a cântaros, no local estavam dois
bondes, não prestei atenção e por intuição peguei o de trás.
Deu partida e
fomos nós, seguiu a rua Ferreira Borges, do lado esquerdo a linha férrea, não
havia muro, passamos pelo imponente Cine Campo Grande, depois entrou no
ostracismo, foi restaurante popular. Seguindo, passamos em frente à Primeira
Igreja Batista de Campo Grande, mais à frente, na curva, a esquerda a companhia
de limpeza urbana, eram na época o serviço feito por tração animal, hoje
rodoviária e Centro comercial popular.
Chegamos na
esquina do pecado, o bonde deveria entrar na Cesário de Melo, não entrou,
seguiu em frente pela estrada do Rio da Prata, quando eu vi, me assustei, falei
com o trocador que havia pegado o bonde errado. Ele falou para eu soltar no
próximo ponto e o retornar no outro bonde que veria, saltei no ponto próximo a
ponte do Rio Morto, não demorou muito o que retornava, logo chegou.
Cheguei em casa,
mãe e pai preocupados, quando me viram foi aquela festa.
O último
episódio, antes do falecimento de meu pai.
Pai chegou à
noite do trabalho, vez enquanto trazia brinquedos, ganho na Marinha para nós.
Nesse dia chegou
com uma caixa de sapato, aguçou a nossa curiosidade, ficamos atentos a espera
dele abrir a caixa, pai foi abrindo caixa e ooohhh, um lindo filhote de pastor
alemão, amamos à primeira vista, foi nosso companheiro por muito tempo.
Porém cresceu
muito, não havia corrente que o prendesse, quando fugia era aquele horror, os
vizinhos corriam dele e fechavam as portas.
Havia também um
agravante contra ele, quando chegava a hora de pai chegar e atrasava, gestapo,
seu nome, começava a latir até pai chegar, mãe não gostava muito de cachorro,
tanto fez que pai foi obrigado a dá-lo, o dia que ele foi embora, foi para nós
um dia muito triste.
Hoje falaremos
de um momento triste que todos nós passamos, o falecimento de uma pessoa
querida.
Saí da escola,
estudava pela manhã, passando pela praça de Comari, um garoto falou-me que meu
pai havia passado muito mal e estava acamado, como nunca vi meu pai doente, empurrei
o garoto e não lhe dei atenção.
Cheguei em casa
e o quadro era muito triste, meu pai sobre uma cama e seu lado direito, paralisado,
mãe falou-me que pai teve um AVC hemorrágico e ambulância iria demorar, pois
nesse dia, infelizmente, houve um acidente de trem, havia muitos feridos e
todas as ambulâncias estavam socorrendo os feridos, descarrilhou em Paciência,
isso ocorreu em 28/03/1950 e era o aniversário de mãe, nunca mais comemorou-se
aniversário de nenhum de nós.
Ambulância
chegou, pai estava lúcido, chamou minha irmã, Rita, para próximo dele e a
abraçou, disse para nós amarmos nossa mãe, pois era nossa princesa.
Foi levado para
o hospital e nessa noite faleceu.
Resoluto em
ir para casa de minha tia em São Gonçalo, falei com mãe, pedi-lhe autorização
ela deu-me a autorização e alguns trocados para a passagem de ida e volta. Mãe
não se opunha a ida nossa a qualquer lugar, só pedia que a avisasse.
Pedi a
benção, não saia se sua benção, as vezes demorava, ficávamos esperando ela dar e só após saíamos, seguíamos o trajeto de sempre. Subíamos a rua Coxito Granado, atravessei a
praça de Comarí, desci a rua Comarí até a estrada do Monteiro, peguei o bonde
em direção a Campo Grande, da minha casa até a Est. do Monteiro dista de um
quilômetro e meio aproximadamente. O bonde como sempre no entroncamento em
frente ao Sassipan, aguardou o outro bonde que vinha de Campo Grande em direção
ao Monteiro, poderia ser também o Pedra de Mangaratiba, o Ilha ou o Correia,
essa parada era obrigatória, após a passagem do outro bonde, seguiu para Campo
Grande, entrou na Cesário de Melo indo até a Cel. Augustinho e desceu a rua em
velocidade.
Lembro-me
que certa vez fui pegar o bonde andando nesse local, uma imprudência
impressionante e o fiz errado, não peguei de frente, segurando o balaústre e
saltando sobre o estribo,isso já era um grande erro, pois o bonde estava em
velocidade, fiz o inverso, segurei no balaústre e corri ao lado do bonde para
saltar no estribo, não consegui acompanhar a velocidade do bonde, rodei, bati
com as costa no balaústre e cai de frente, aparei com a mão direita o tombo e
minhas pernas passaram por cima do estribo, não acontecendo nada de grave. Mas
um outro amigo em outra ocasião não teve a mesma sorte e perdeu ambas as
pernas, as rodas do bonde passou sobre elas.
Chegamos ao
ponto final do ponto do bonde, rua Cel. Augustinho com Ferreira Borges,
soltamos, atravessamos a passagem de nível do trem e encaminhamos para a
entrada da estação, compramos a passagem, o ticket era em papelão para quando o
fiscal passasse, ele picotaria o ticket.
Sentamos,
nessa época o trem andava vazio. Partiu em direção a Central do Brasil. Não
havia muros ao longo da via. O barulho do chocoalar do trem sobre os trilhos,
até hoje os tenho na mente, suaves quando não havia edificações, barulhentos
quando havia e surdos quando passava sobre pontes. Do final da Ferreira Borges
até Senador Camará era matagal, no fim da reta da Ferreira Borges havia o
serviço de coleta de lixo urbano, feito por tração animal. Hoje rodoviária de
Campo Grande, Centro Comercial Popular, local em grande desenvolvimento.
Chegamos a
primeira estação após Campo Grande, Augusto Vasconcelos, estação típica do
interior, não havia muros, era bem devassada, com uma passagem de nível, a
estação única, ou seja, o trem, parava de um lado para ir e na volta do outro,
em Santíssimo, a próxima parada, também era assim.
Passamos por
Senador Camará e chegamos a Bangu, nessa época havia a fábrica de tecido Bangu,
local badalado do soçaite carioca, hoje não existe mais a fábrica, presumo que
também o rio das tintas proveniente da tintura dos tecidos, não seja mais
tinto, no local que existia a fábrica, há um shopping.
Saindo de
Bangu, chegamos a Padre Miguel, lembro-me que mãe, quando ensaiava no coral de
mil vozes, era primeiro contralto, eu a acompanhava. Aquelas duas garotas que
eram irmãs e estudavam no Colégio Batista de Campo Grande e eram da Igreja
Batista, foram assistir no cinema de Padre Miguel o filme os cafajestes, com
Jece Valadão e Daniel Filho, disseram que ao sair do cinema de tão
envergonhadas estavam, parecia que todos a olhavam.
As estações
de Realengo, Magalhães Bastos e Vila Militar todas em seu entorno com Batalhões
Militares. Aproximamos de Deodoro, antes uma parada para aguardar os trens que
trafegam para Nova Iguaçu, Queimados e Paracambi.
Vez outra, o trem permanecia nesse horas a fio, ficava em frente ao 2 Batalhão de Artilharia de Costa, 105 mm. Assim nessa espera voltemos a Magalhães Bastos entre a Vila Militar, ali está o Regimento de Cavalaria do Exército, no muro de trás do Regimento que dava para a linha do trem, existe o depósito de fezes dos cavalos, acredito que o recolhimento dessas fezes se dá diariamente, mas o fedor permanece e entra no trem, até hoje quando passo em algum local que tenha cavacos, mesmo não vendo, sinto o cheiro característico de suas fezes.
Um amigo que servia nesse Regimento, contou-me que no quarto de hora em que ficava de serviço, tinha que passar pelas baias com um carrinho de mão recolhendo as fezes, tinha que ser rápido, para ao chegar na última baia retornar sem que nenhum cavalo defeca-se, se acaso um cavalo defeca-se e ele não tivesse tempo de recolher e o Sargento da hora, visse o estrume, era aquele horror, o soldado após o serviço ficaria no pernoite, ou seja, não iria para casa, o o Exército, dizia que não faria prova para Sargento do Exército, não usaria o quepe que para ele era uma broa e sim a bebica da Aeronáutica, como dizia o catarina do Ministério do Exército, bebico. Essa peça do uniforme da Aeronáutica era igual ao dos americanos, ele fez prova para Sargento da Aeronáutica e passou.
Todos os companheiros meus da Igreja Batista e Congregacional tornaram-se, alguns, Oficiais e Sargentos da Aeronáutica, do Exército, da PM e da Marinha, outros foram médicos e professores, Um dos médicos medicou aqui em Araruama, outro, antes de ser médico cursou a escola de normalista Sarah Kubitschek, perguntei, certa vez, a ele por que estava cursando o normal no Sarah? Disse-me que precisava de um emprego em que ele pudesse comprar os livros.
Foi dada a autorização para o trem seguir para Deodoro, foi bem devagar, as rodas de ferro ao girar na curva comprimindo a antepara do trilho espremia um grito estridente, fino e angustiante, seguia devagar por motivo das agulhas de desvios não abrirem-se causando um acidente.
A gare de Deodoro é igual a de Engenho de Dentro, vieram da Alemanha, em Deodoro e feito o desembarque, baldeação, para aqueles que irão soltar em estações em que o direto, Campo Grande, Santa Cruz, Nova Iguaçu e Queimados, não param.
Seguimos em frente, agora bastante veloz, passamos por Marechal Hermes, uma estação típica da antiguidade, com seus arabescos, frisos, uma arquitetura barroca, logo a seguir Bento Ribeiro, Honório Gurgel, Madureira, Cascadura, essas duas estações o direto para, são estações comerciais. Vamos seguindo, Quintino Bocaiuva, com sua Igreja a direita encravada numa pequena elevação e ao redor bastante arborizada, Piedade com sua faculdade da Gama Filho e da fábrica de açúcar, logo depois Encantado, hoje não existe mais essa estação.
Chegamos a Engenho de Dentro, uma bela Gare em estrutura de ferro galvanizada, veio da Alemanha e montada no Brasil, do lado esquerdo a segunda oficina dos trens, a primeira fica em Deodoro. Em Engenho de Dentro outra estação de baldeação para as estações intermediárias servidas pelo trem paradouro, ou Deodoro.
Estamos quase chegando a Central, partimos, passamos pelo belo Bairro do Meier de gratas lembranças, Engenho Novo outra de boas recordações, Sampaio, Riachuelo, Rocha, não existe mais, mas em nossas lembranças permanece., São Francisco Xavier e São Cristovam serão objetos de recordações em nossa resenha de lembranças, saindo de São Francisco Xavier, chegando a Mangueira, há uma bifurcação dos trens que vem de Belfo roxo, Duque de Caxias e de Campos, apelidaram essa via dos trens de Mata Sapo. Do lado direito a favela do esqueleto, depois transferida para Vila Kennedy, os comunistas disseram que a Sandra Cavalcante deu esses favelados para os peixes do rio da Guarda, ao lado o majestoso Maracanã.
São Cristovam onde minha vida se tornou realidade, a esquerda o 1 GCanAAAe40, quartel de elite, falaremos mais tarde desse maravilhoso Quartel, junto ao Quartel ainda a esquerda a Quinta da Boa Vista. Passamos São Cristovam, a frente Lauro Muller, Praça da Bandeira. Lembro-me, quando Sargento, atravessava a praça veio em sentido contrário Feliciano Amaral, cantor Batista renomado, ao vir, pensei que era um Coronel prestei a continência, ele riu, continuou seu caminho, acho que ficou embevecido.
Passamos por cima do mangue, a esquerda uma fábrica de açúcar, não me lembro o nome, logo a seguir outra oficina de trens, lavava-se os trens, após o morro da Previdência, lá no topo uma singela Igrejinha, sempre tive vontade de ir até lá, nunca tive coragem.
Chegamos a Central do Brasil, soltamos, sempre fui fissurado em café, não poderia deixar de bebê-lo, fomos então até o café Capital ali no saguão da Central.
Terminei o café e voltei para o saguão da gare, gostava de admirar esse belo espaço, espaçoso e acolhedor, ficava olhando os painéis expostos na parede ao redor do saguão. As vezes havia exposições de vários assuntos. Também observava o vai e vem das pessoas que ali passavam, umas correndo, outras andando apressadamente para apanhar o trem na estação ou para ir ao trabalho, era um belo frenesi. Quando, então, nos autos falantes, ouvia-se o sonoro som de atenção, plim plom, após esse som a locutora informava a hora de partida do trem que estava na plataforma, acontecia aquela correria para não perder o trem.
Tinha um certo receio de permanecer muito tempo
no saguão da estação, não saia pelas portas da esquerda, aquelas que davam
saída para o morro da
previdência e para rua Senador Pompeu, preferia as da direita e de frente para
o Ministério do Exército.
Haviam duas
opções para se chegar a Praça Quinze, o bonde ou a pé, o bonde nessa época era
o taioba, um misto de passageiro e carga, não me lembro seu trajeto, preferia
sempre ir a pé, economizava dinheiro e também ia vendo os monumentos.
Fui a pé,
passei em frente ao Ministério do Exército, olhava, com misto de inveja,
aqueles impolutos soldados que ficavam de guardas, nunca pensei que um dia
seria um deles. A direita o Pantheon de Caxias onde estão seus restos mortais,
na frente, sobre um pedestal, a estátua do Patrono do Exército a cavalo.
Do outro
lado, atravessando a Av. Presidente Vargas, o Campo de Santana com seus
animais, cutias, gatos, patos, gansos, marrecos e cisnes.
Seguindo em
frente pela Marechal Floriano, a esquerda, o palácio do Itamaraty, palco de
majestosos bailes e jantares. Conta-se, não encontrei a veracidade dessas duas
histórias, uma que durante um baile, sumiu a espada de um conviva. A outra que
furtaram uma estátua de uma das bailarinas do jardim e os ladrões enganaram o
guarda, este até ajudou a levarem a estátua. Não sei se estas histórias são
verdadeiras.
Mais a
frente e do mesmo lado, o edifício da light. A maioria das casas da Marechal
Floriano são antigas. Encontramos Colégio D. Pedro II, esquina com a rua
Camerino, indo em frente chegamos a esquina da rua do Acre, mas antes vamos
beber um café na casa do café Capital e lembrarmos da rua do Acre, seguindo ela
em direção a Praça Mauá, do lado direito, a Rádio Marink Veiga e o Jornal
Última hora, no fim da rua do Acre com esquina da Av. Rio Branco, o edifício a
Noite, lugar da efervescência artística da época, onde existia a rádio
Nacional, o Jornal a Noite e era transmitido para todo o Brasil, programas dos
mais variados e artistas de renome ali pontuavam, era onde era transmitido o Repórter
Esso na voz de Heron Domingues, ainda iremos falar desse dois lugares, hoje
infelizmente está abandonado.
Terminamos o
café e seguimos em frente, chegamos ao Largo de Santa Rita, tendo a direita a
bela Igreja de Santa Rita. Aqui termina a Marechal Floriano, segue a rua
Visconde de Inhaúma, na esquina com a Av. Rio Branco o hotel São Francisco,
atravessamos a Rio Branco, passamos em frente ao Ministério da Marinha,
seguimos na lateral do porto, passamos pela Polícia Marítima, hoje museu da
Marinha, onde estão ancorados o Submarino, o Destroier, a réplica do Galeão que
trouxe Pedro Alvares Cabral. Andando e a
frente era o entreposto de comercialização de peixe, hoje não faço a mínima
ideia do que seja, chegamos a Praça Quinze.
Antes de embarcarmos na barca rumo a Niterói, faremos um pequeno lanche num dos bares ali existentes e elevar a nossa mente para este lugar mágico de nossas lembranças.
Voltamos as nossas lembranças, estamos na Praça Quinze fazendo um lanche, admirando o seu redor, isso aproximadamente em 1952/53, tinha nessa época doze anos e estava sozinho. Não havia a perimetral, também o anexo da ALERJ e o belo edifício da Bolsa de Valores do Rio, mais tarde a bolsa do Rio rivalizava com a de São Paulo, houve, porém, um desfalque, por um acionista que emitiu um cheque sem fundos, quebrando o pregão, ela então perdeu o seu glamour.
Bem no centro da Praça há o monumento, Panteon, equestre do Gen. Ozório, herói na guerra do Paraguai, junto a estátua, os canhões sequestrados do Paraguai durante a guerra, troféus de guerra, seus restos mortais foram transferidos para a cidade de Osório, no Rio Grande do Sul, de onde ele era filho. Há também o Chafariz do Mestre Valentim.
Nessa Praça, em 1808, D. João VI desembarcou no Brasil vindo de Portugal, fugindo de Napoleão, veio com toda a corte e aqui estabeleceu o Império Ultramarino Português, uma curiosidade, trouxe para o Brasil 60.000 livros, uma extraordinária biblioteca.
Conta-se as más línguas que ao desembarcarem os nobres no Brasil, aqui nessa Praça, foram recebidos pelas mucamas com bandeja com água, para lavarem o rosto e as mãos, aqueles mulheres brancas, cor perolada, que o sol a refletir sobre o rosto, ofuscava, disseram para as mucamas que eram limpas desde o nascimento e não precisava lavar-se.
Do lado esquerdo da Praça, próximo ao atracadouro da Polícia Federam, existe um palacete para imunização e vacinação, em frente a esse palacete, o Tribunal de Justiça, contornando a Praça encontramos o Palácio Tiradentes, ao seu lado o Paço Imperial, ao fundo, atravessando a Primeiro de Março, a Universidade Cândido Mendes, ao seu lado a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, o convento e a terceira ordem de Nossa Senhora do Carmo, continuando pelo entorno, olhando para a Primero de Março, a direita, o Arco do Teles com suas lojas de café e artigos raros. Na Praça há uma feira de antiguidades.
O chafariz do Mestre Valentim, esse chafariz foi construído com a finalidade de abastecer os navios que ali atracavam. No período da escravidão era nesse cais, Pharoux, assim chamado, o desembarque dos escravos, também, na belle époque, o desembarque de passageiros de toda a parte do Brasil e do estrangeiro, era o Rio dando boas vindas a todos, até dos escravos. Conta-se que 1888, com a assinatura da lei Aurea, esse foi o local de grande festa.
No dia em que a última guerra terminou, eu, meu, pai, minha mãe e meus dois irmãos, desembarcamos das barcas, Cantareira, ao darem a notícia do término da guerra, foi a maior loucura, gente se abraçando, correndo para lugar nenhum, para chegarmos a Central do Brasil foi um custo.
Parece-me que os ETs não gostaram de mim, trouxeram-me de volta aos anos 50. Deixaram-me no mesmo local que me encontrava antes de ser abduzido. Os bares ao longo da Av. Marechal Floriano e Visconde de Inhaúma exibiam em seus mostruários siris enormes, diziam que era de oceano, e muitos ofereciam sardinhas fritas.
Ante de embarcar na barca para Niterói e por conseguinte, a casa de minha tia para participar dos saraus que ela oferecia a nós, seus filhos e a mim.
Vamos conhecer a vida no Rio de Janeiro do passado através de livros e alguns autores daquela época. Há inúmeros livros e autores falando da cidade, cito alguns de que gosto, um as ilustrações de Debret, outro, o agraciado, culto e insigne escritor carioca, nascido de família pobre e no morro do Livramento, o mulato, Machado de Assis, primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, alguns de seus livros, Dom Casmurro, Memória Póstumas de Brás Cuba e outros livros, poesias que contam sobre o Rio de Janeiro. Um outro bom livro Memórias de um Sargento de Milícias de Manuel Antônio de Almeida e o inefável livro, o Cortiço, de Aluízio Azevedo.
Excelentes livros para se conhecer a cidade do Rio de Janeiro no fim do século XIX e início do século XX.
De volta as minhas elucubrações, parafraseando Machado de Assis, no ano cinquenta perdemos a Copa do mundo no Rio, Maracanã, porém o Flamengo foi tricampeão,1953/54/55, lembro-me da escalação do time até hoje: Garcia, Bria, (depois Tomires), Pavão, Jadir, Dequinha, Jordan, Joel, Moacir, Rubens, Evaristo e Zagalo.
A Praça Quinze, com a criação do Porto da Praça Mauá, perdeu o encanto que possuía no passado, continuou sendo um centro de intercâmbio com Niterói, as cidades dos lagos, do leste e norte do Rio de Janeiro. através das barcas de passageiros e as balsas para os carros em geral.
Nessa época era culto falar francês e citar o galicismo. O linguajar do carioca é típico de uma mixagem de várias pronúncias dos estados brasileiros e estrangeiros que marcaram a pronúncia gramatical do Brasil pelo carioca.
Li numa revista, não me lembro qual, uma coreana veio ao Brasil fazer uma pesquisa sobre a dificuldade de um estrangeiro aprender português, foi a vários estados ouvir o nativo falar o português, descobriu o seguinte: O nordestino o seu linguajar é arretado, o baiano malemolente, como se estivesse cantando, o paulista soft, flexível, flexiona o “r”, o do sul empolado, o mineiro, como se estivesse numa fazenda, não se entende nada e embola tudinho, o do carioca, ela falou: “Ah! O carioca! Para ela o mais difícil de se pronunciar, por motivo do “r” gutural, dobrado, afrancesado.
Como disse Vinício de Moraes: “A beleza é essencial”.
Terminamos o nosso lanche e vamos embarcar na Cantareira. Havia dois tipos de barcas uma só de passageiro e outra mista de carga, carros e passageiros. Embarcamos, mãe recomendava que não viajássemos na proa da embarcação, também aguardasse a barca atracar, houve inúmeros acidentes de pessoas por imprudência dos passageiros. Era uma barca a vapor com duas rodas laterais que impulsionava a barca. Viajávamos no interior da barca admirando a beleza da Baia de Guanabara, com vai e vem dos barcos, seu entorno com as belas paisagem dos morros da cidade do Rio de Janeiro, sobressaindo o Pão de Açúcar, Cristo Redentor e as montanhas da serra do mar, o Aeroporto Santos Dumont, os voos dos aviões na chegada e na saída, a Escola Naval, a laje e o forte de São João na Urca, do lado esquerda da barca na ida para Niterói, ainda não havia a Ponte Rio/Niterói uma longa vista que se espraiava numa larga visão da Baia e seu mar, avista-se a Ilha do Governador em primeiro plano, bem ao longe a Ilha de Paquetá. Do lado direito para Niterói, o forte e a praia de Gragoatá, logo depois a praia da Boa Viajem, na entrada da Baia a Fortaleza de Santa Cruz e os belos morros, o do Imbuí e outros, chegando ao porto de Niterói, do lado esquerdo, a Ilha de Moncanguê, onde fica estacionada a esquadra da Marinha Brasileira, com os navios de guerra e submarinos.
Viajei em quase todas as embarcações que singraram a Baia, desde o minúsculo dingue, barco a vela, as barcas, viajei para Ilha do Governador, Paquetá, Barreto e Charitas, viajei em tour feito pela Igreja Batista de Campo Grande ao redor da Baia. Nessa época os botos, golfinhos, gaivotas acompanhavam as embarcações em belos nados, voos, A Baia não era tão poluída como hoje.
Havia por essa época os navios de cabotagem, eram mistos, passageiros e cargas, serviam aos portos ao longo de nossa costa brasileira, os famosos Itas e o transatlântico, Princesa Isabel.
NITERÓI — Há exatos 60 anos, pouco após as 8h, a Praça Martim Afonso (atual Araribóia), em frente à estação conhecida como Cantareira, no Centro de Niterói, estava tomada por mais de oito mil passageiros, amontoados em enormes filas desordenadas à espera das embarcações que atravessariam a Baía de Guanabara em direção ao Rio. Naquela manhã de 1959, o grande descontentamento — decorrente da falta de barcas e consequentes atrasos — gerou uma rápida — e logo reprimida — manifestação que ficou conhecida como a Revolta das Barcas ou a Revolta da Cantareira, deixando um saldo de oito mortos e 126 feridos.
A falta de embarcações naquele dia foi em consequência de uma greve dos funcionários da Frota Barreto, da família Carreteiro – que controlava o transporte marítimo entre Rio e Niterói. Dizem os jornais da época que mesmo com a interminável espera, a situação estava controlada, com embarcações da Marinha substituindo as da empresa. Mas uma ordem para que a população fizesse uma única filapara embarcar revoltou os passageiros e bastou um grito de "quebra" e uma pedrada na vidraça da estação para a confusão começar.
Mesmo após tiros para o alto disparados pelos fuzileiros navais, a multidão não dispersou. Houve tiroteios na Praça São João, ali perto, e a casa dos proprietários do Grupo Carreteiro, no Fonseca, foi saqueada. Soldados do Corpo de Bombeiros tentaram apagar os incêndios, mas acabaram agredidos a pedradas pela multidão. A revolta virou um símbolo de luta do povo por seus direitos.
Após a revolta sangrenta, a travessia hidroviária passou para as mãos do governo do estado, por meio da Companhia de Navegação do Estado do Rio de Janeiro (Conerj). Assim ficou até 1998, quando o serviço voltou a ser gerido pela iniciativa privada, que controla a atividade até hoje.
Atualmente, diante do anúncio da concessionária CCR Barcas de que quer desistir da concessão, alegando prejuízos, a Secretaria estadual de Transportes elabora novo edital para licitar o serviço de transporte aquaviário. Em junho de 2018, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou lei que determina inclusão da oferta de uma tarifa social na linha Charitas-Praça Quinze, que oferece apenas o serviço seletivo, com passagem a R$ 17,60. Até hoje, a lei ainda não é cumprida.
Decreto de Dom Pedro II
Utilizando-se de um decreto do imperador Pedro II, a Companhia de Navegação de Nictheroy colocou, no dia 14 de outubro de 1835, a primeira barca ligando a cidade ao Rio de Janeiro. Estava inaugurado, o principal meio de transporte de passageiros entre as duas cidades, que não teve concorrentes até 1974, quando terminaram as obras da Ponte Rio-Niterói.
Entre 1835 e 1959, o serviço das barcas ficou nas mãos da iniciativa privada, principalmente a de capital estrangeiro. Nos primeiros dez anos, com a Companhia de Navegação de Nictheroy. Posteriormente, companhias como Inhomirim, Ferry e Cantareira estiveram à frente do serviço.
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Bem vamos voltar a nossa história.
Seguindo esse slogan, lembramos de fatos ocorridos a mais de cinquenta anos.
1966 fomos promovido a terceiro sargento, sem antes termos a prova de que Deus é por nós.
Em dezembro de 1965 sofri um acidente, cai de uma certa altura e tive uma luxação grave no joelho esquerdo, ou seja a perna soltou do joelho e foi para baixo da coxa, fui medicado e passei usar um gesso em toda a perna, da virilha ao tornozelo durante 45 dias, a perna ficou osso e pele.
Voltei com dificuldades para trabalhar.
Em maio constou o meu nome para a promoção, necessitava fazer exame médico, tocou horror, como fazê-lo, surdo e com a perna ferrada.
Não fiz.
Cantou no boletim de promoção, deixa de ser promovido por falta de inspeção médica.
No outro dia, indo da Central do Brasil para o Ministério do Exército, onde trabalhava, disse para mim mesmo, se Deus assim quis, assim fez, louvado seja o seu nome.
Fui trabalhar.
Nesse ínterim, apareceu um cabo, na mesma situação minha, procurando-me que o major queria falar comigo.
O major mandou-me fazer a inspeção em 21 dias que me promoveria em 01/06.
Lá fui eu fazer os exames preliminares, pedia que ok resultados fosse entregue em minhas mãos.
Chegou o dia da inspeção final.
Sentei-me na sala de espera entre dois sargentos, como eu só tinha 04 anos de serviço, qualquer deslize seria mandado para casa sem direito a nada, era surdo e usava aparelho, porém Deus deu-me a faculdade de ler nos lábios, tirei o aparelho e pedi para eles ao ser chamado, tocasse em mim.
Chegou o momento
Fomos os três a presença do médico, este ordenou que tirássemos o dolbe, o que fizemos, auscultou e nos disse que estávamos aprovado.
DEUS CUIDA DE NÓS!
ALELUIA!
Fui promovido a transferido para a AMAN.
No dia da minha ida para AMAN, com direto a lágrimas de mãe e minha querida irmã, a Ritinha, minha linda irmã.
Lá fui eu, fardado, todo garboso e com a minha mala a tiracolo.
Cheguei na AMAN
em agosto de 1966, tudo me era novidade, apresentei-me Batalhão de Comando e
Serviço, fui alocado na 2Cia de Serviço.
Deram-me oito
dias para instalação, morei numa casa, junto com alguns companheiros no Monte
Castelo.
As vezes a
noite, sozinho, ia a cidade numa pizzaria degustar uma pizza brotinho
acompanhada de um ovomaltine, sempre que sentia vontade ia lá.
Em 1967 tivemos
vários acontecimentos, teria que fazer a prova para o CAS, jogando bola levei
uma canelads, logo crescer um caroço na perna, fui fazer ultrassom, o Cara
queimou minha perna, apareceu uma bolha, fui ao médico, na conversa, perguntei
a ele, sobre a perspectiva de passar no exame médico, disse-me nenhuma
possibilidade.
Faltei às
provas.
O tempo passou,
chegou a minha inspeção do engajamento, a princípio uma pequena ponta de
preocupação.
Será que
passaria na inspeção?
Uns dias antes
da inspeção, a direção do hospital foi
trocada, para o lugar de Diretor assumiu o Cel. Castelo Branco, uma pessoa
finíssima, era surdo e me fez passar na inspeção.
Sempre que podia
ia no prédio que eu estava para conversarmos e fazia algumas brincadeiras
comigo, andava com três aparelhos auditivos sobressalentes.
Mas tarde foi
Diretor no HCE, certa vez encontrei ele, junto com seu segurança na rua Anna
Nery a paisana, esperando um táxi, conversamos rapidamente.
DEUS CUIDA DE
NÓS!
ALELUIA
Nesse ano, 1967,
houve uma tragédia na Serra das Araras, uma tromba d'água caiu sobre ela,
destruindo-a. Completamente.
Eu tinha o
hábito de viajar cedo, por volta das sete horas, ia para o ponto ali na Ponte
Coberta, Viúva Cláudia e pegava o Ônibus para Resenha.
Foi o que eu
fiz, viagem traquinas até Vista Alegre, quando caiu um toró de fazer gosto, o
nosso ônibus derrapou na estrada e tocou no barranco com a traseira.
Conseguimos
chegar tranquilo, fui na pizzaria, comi uma pizza brotinho com ovomaltine,
depois subi para o Monte Castelo.
No outro dia a
notícia da destruição da Serra das Araras.
Soubemos que um
companheiro, o Siqueira, havia morrido, morreu muita gente.
Soube mais tarde
através do Reis o que realmente aconteceu.
O Reis e o
Siqueira chegaram na Rodoviária Novo Rio meia noite para pegarem o último
ônibus para São Paulo e soltarem em Resende.
Eles gostavam do
ônibus Única, o Siqueira conseguiu a passagem, o Reis, não estava cheio e não
podia levar ninguém em pé, implorou para a atendente vender, não conseguiu, foi
no Cometa, tudo corria bem, quando no meio da Serra, a água e entulhos, com a
força da chuva traziam tudo Serra abaixo.
O ônibus que ia
a frente, Espresso Brasileiro, parou e encostou no guarda rail, o Cometa o
mesmo, o Única não conseguiu foi levado para o leito de Rio Ribeirão da Laje,
morreram todos os ocupantes.
No Cometa e
provavelmente na Espresso, um terror entre os passageiros querendo sai.
Para onde?
A água os
entulhos levando tudo.
Numa distração
do Reis, uma manilha com arame enroscou em seu braço e o levou para Ribeirão,
como sabia nadar, conseguiu se desvencilhar dos arames, voltou a superfície do
rio.
Não se via nada,
um breu terrível, começou a nadar sem rumo, disse que passava gente em tronco
de árvore e de bananeira, nisso viu uma Kombi flutuando, segurou no para choque
trazeiro, não foi muito longe, a Kombi bateu em alguma coisa, fazendo-o ir para
baixo dela, quando ela bateu com a parte de baixo na sua cabeça, fazendo-o
afundar, já havia passado muito tempo, não conseguia se guiar chegou a pensar
em entregar os pontos.
Quando um
relâmpago iluminou o local e viu que estava próximo à margem, nadou para lá, ao
chegar e começando a subir o barranco, ouviu um grito, CUIDADO, ele agachou-se,
um torrão de barranco passou sobre suas costas.
Desmaiou, só foi
acordar no HCE, e lá passou seis meses para extrair a lama que estava em seu
pulmão.
Depois foi para
o CPOR, por fim tornou-se empresário.
Quem conheceu o
Reis foi o Vidson no CPOR, ele era o responsável pelo refeitório.
As notícias da
tragédia não foram muito divulgadas, as revistas de grande circulação não se
aprofundaram no assunto, apresentaram fotos, alguns relatos.
Em Resende pouco
se falou do ocorrido e a vida voltou ao normal.
Ontem soube que
uma amiga e sua irmã participaram ativamente em auxiliar os desabrigados,
fazendo viagens de Itaguaí a Campo Grande trazendo alimentos e outros objetos
de sobrevivência, ela é também amiga do Roberto, a Daysy.
Disse que no
trajeto de Campo Grande a Itaguaí viram muitas corpos no leito do rio da Guarda
e Itaguaí estava quase submersas pelas águas
Essa tragédia
foi considerada a maior do Brasil.
Av Dutra foi
interditada nos dois sentidos.
Não sei qual o
local de quem ia do Rio para São Paulo, se no atual anel metropolitano ou em
Piabetá, de São Paulo para o Rio, se não me engano, em Piraí.
Os ônibus que
saiam da Rodoviária Novo Rio para São Paulo ou cidade no trajeto, iam por Três
Rios e retorno também.
Havia opção do
trem, eram dois tipos o de luxo, em aço e o mais simples, popular de madeira,
eram confortáveis.
Certa vez vim,
para o Rio de trem a noite, em Piabetá, era feito o desvio dos trens, o que
vinha do Rio e o que ia para São Paulo, nessa noite houve problema o trem não
seguiria para o Rio, só no outro dia pela manhã,
Achei uma
estalagem, horrível, a mulher que me atendeu nem me mostrou o quarto, nem
acendeu a luz, dormi num colchào de palha, o local era tão ruim que não tenho
ele na memória fotográfica.
[16:39,
17/04/2020] Edgard Pinto Neves: A rotina na AMAN seguia tranquila. Quando o
fogo simbólico da nação esteve em Resende, fui um dos selecionados para
comandar um GC para guarnecê-lo, um GC é composto de 01 Sargento, dois CB e 6
seis soldados, ficamos vinte quatro horas no centro de Resende tomando conta do
fogo simbólico, não podia apagar.
A noite vicejam
os mais variados tipos de pessoas, os notívagos, trocam o dia pela noite, os
insones por vários motivos, precisam, por vezes, uma atenção, alguém que os
escutem, um me procurou para conversar, contou sua história, ouvi com atenção,
depois retornou ao hotel.
Houve um
treinamento de guerrilha, junto com o Pelotão, tomamos conta de uma ponte, essa
ponte liga a AMAN ao complexo esportivo e dá passagem para o Batalhão, BCSv.
Recebi ordens
para pegar um indivíduo, que era portador de uma informação importante é ele
não poderia cair na mão do inimigo.
Peguei meu GC e
fomos ao estádio pegar o Cara, tomamos alguns cuidados, pegamos o Cara e
levamos para o Comando Geral, lá também era a base do inimigo, ficaram
surpresos quando chegamos.
No retorno,
tomamos maiores cuidados, não seguimos o caminho de ida, demos uma volta por
traz do estádio, chegamos ao nosso local ileso. Missão cumprida com sucesso.
Outra vez,
estava como Sargento de dia, minha ronda era de meia noite as duas, fui para
traz do pavilhão da 2 Companhia, era um local ermo e um matagal espesso, vi
dois plantões juntos.
Perguntei a um
deles, porque havia deixado o local do seu plantão, disse-me que ouviu baralhos
na mata, chamei-lhe atenção que ele não deveria ter feito aquilo. Ordenei
engatinhar a arma e fomos para o local do barulho, ele ouviu outra vez, pedi
para me dar cobertura e fui ver o que era. Dei de cara com uma vaca debulhando.
Num serviço que
tirei como comandante da guarda ao paiol, surgiu uma informação que elementos
de esquerda atacaria o paiol, ele era cercado de mata, um sentinela não via o
outro, os soldados estavam tensos, tão tenso que davam alto para curiangos.
“Curiango.
substantivo masculino Ave de hábitos noturnos, pardo-amarelada, com pintas
pretas e que mede cerca de 30cm. Por ter as penas macias, seu voo é silencioso
como o das corujas. Costuma pousar na estrada, da qual só levanta voo quando
uma pessoa ou carro se aproxima, indo pousar, repetidas vezes, mais adiante”. (www.dicio.com.br)
Quando fomos dormir, dei ordem para Cabo, se
houvesse o auê, saisse com três pela janela dos fundos e sairia pela porta da
frente, tudo correu bem, pela manhã fui ver a saída da janela dos fundos, se
ocorresse o ataque, o Cabo e os três soldados ficariam presos no arame farpado
que cercava o corpo da guarda.
[19:06,
17/04/2020] Edgard Pinto Neves: Minha noiva estudava no Rio, ei ficava em
Resende, nossos contatos eram escassos.
O médico que a
tratava era General médico da reserva, certa vez a encontrou triste,
perguntou-lhe oi motivo da tristeza, ela lhe contou que não tinha ninguém na
Rio e sentia,-se muito só e eu, seu noivo, estava em Resende e pouco nos víamos
Perguntou para
ela se queria que eu fosse transferido da AMAN para o Rio, ela disse que sim
Ele pediu a ela
meus dados e disse.que era amigo do irmão do General Comandante da AMAN,
falaria com ele.
Bem o General
era diretor da fábrica de Realengo, não podia fazer nada por mim, motivo de
minha QM.
Fiquei
entusiasmado, peguei coragem, fui ao Ministério do Exército, na DCE, Diretoria
de Comunicações e Eletrônica
Lá encontrei o
Capitão, filho do General R.O,, que se prontificou falar com o General Sady,
ele concordou com a minha petição, enviou para a AMAN o meu pedido de
transferência.
AMAN deferiu e
em agosto de 1968 fui transferido da AMAN, porém ocorreu um problema, não havia
vaga para mim na.Diretoria de Comunicações.
Pediram para que
eu fosse ao Parque.
No Parque
encontrei meu velho amiga que vivia quebrando meus galhos, o Assumpção.
Entreguei a ele
o documento da minha transferência, ele aceitou e disse que havia uma vaga e
ela seria minha, tudo certo.
Só que na vida
as coisas se complicam um pouco.
O Assunção
esqueceu de informar o Coronel.
Assunção me
chamou na S1 disse que não havia falado com o Cel. e este tinha prometido a
vaga para um Sargento da EsCom, mas queria me ver.
Fomos ao
gabinete do Cel.
Ele me olhou,
era o Tigre, Cel. Mendelssohn.
Disse para o
Assunção que me conhecia e eu era bom Sargento que a vaga era minha.
Falei para minha
filha que ia escrever minhas lembranças, ele disse que eu podia escrever, só
não podia me emocionar.
É muito difícil
não me emocionar
[20:32,
18/04/2020] Edgard Pinto Neves: Antes de entrarmos na história do ingresso no
Exército, temos que retroagir um pouco, para termos umas ideia de alguns
acontecimentos posteriores.
Em 28 de março
de 1950, um dia que deveria ser alegre por ser o aniversário de minha mãe, me
pai faleceu, há 70 anos, ficamos órfãos.
Eu, na idade
cronológica certa, tinha nove anos, na certidão de nascimento, oito anos, meu
pai não tinha dinheiro para pagar a multa.
Bem, eu era mais
velho, éramos cinco, minha irmã e meus outros três irmãos e minha mãe.
O mundo virou de
cabeça para baixo.
No início fomos
morar na casa de minha vó, D. Emiliana, ficamos algum tempo, foi quando minha
mãe arranjou um emprego numa farmácia, eu não sabia que era minha mãe quem
pagava o meu salário, para eu aprender a trabalhar, só bem mais tarde, eu soube
que era ela quem pagava o meu salário.
Aos quinze anos,
mãe arrumou, para mim e meu irmão, trabalharmos na Marinha como aprendiz e
recebíamos pelo fundo naval. Ficamos mais de dois anos. Uma Nice.
Terminou esse
tempo, tive que me apresentar no Exército, me apresentei na EsACos, Escola de
Artilharia de Costa.
Cheguei lá fiz exames,
quando o médico responsável me chamou e disse que o meu peso era incompatível
com minha altura, deveria voltar para casa engordar e voltar no outro ano.
Sem emprego,
preso ao Exército, sem dinheiro e com idade.
Procurei a
Sandra Cavalcante, ela me deu uma carta de apresentação para a Cervejaria
Antártica, fui na Rua do Riachuelo e me apresentei, trataram-me bem, mas não
consegui o emprego por causa do Exército.
Com alguns dias
em casa sem fazer nada, fiquei com problema mental. Minha mãe levou-me ao
Pastor Dutra, Pastor da Primeira Igreja Batista de Campo Grande, era
psiquiatra, deu-me um remédio e melhore um pouco.
Mãe procurou o
Pastor Moisés Silveira diretor do Colégio Batista Shepard na Tijuca no Rio,
conseguiu para eu trabalhar ali, estudar e trabalhar, fiquei alocado no
pavilhão de internos, trabalhei como disciplina, auxiliei o Carlinho, uma
excelente pessoa, marcou profundamente o meu coração.
Deus cuida de
nós
Fiz algumas amizades, dentre elas dois grandes amigos, o Queiroz, filho do Pastor Queiroz e o Guimarães, pediram-me para ir servir com eles no GCan40, relutei que eu tinha que me apresentar em outro, disseram que deveria procurar o Ten. Herval, gente boa.
Fui ao GCan40, o
Ten. Leitão disse que meu quartel era outro e ele não podia fazer nada.
Fui procurar o Ten.
Herval, entrei no quartel e comecei subir escada da varanda, o Maj. Creto
descia, perguntou o que eu ia fazer, disse-lhe que ia falar com o Ten Herval,
perguntou qual o assunto, contei-lhe, perguntou como eu cheguei ali, disse que
o portão estava aberto e entrei por ele.
Disse-me eu
falar com o Ten. Leitão para aceitar o meu ingresso no quartel.
Fiz meus exames
e ingressei no Exército Brasileiro
Uma semana antes da incorporação, fizemos uma
prova.
No dia
15/01/1962 fomos incorporados no 1GCan40AAe.
Estávamos
perfilados em frente a Bateria de Comando e Serviço, recebendo informações
inicias da nossa vida no quartel. A primeira informação era que eu e o
Guimarães, mais alguns outros em decorrência da prova que fizemos, fomos
matriculados no curso de Cabos e como tal não tiraríamos serviço de soldado e
sim de Cabo, não da guarda, mas de dia à Bateria.
Um soldado que
estava conosco, caiu em forma, um outro soldado, filho de uma enfermeira, saiu
de forma e foi atender o cara, o camaradinha aqui, também. Um soldado antigo
que estava encostado na mureta da escada, perguntou quem havia dado ordens para
sairmos de forma e pagássemos dez flexões de braço, o cara se enfureceu, nisso
ia passando o Cap. Moreira, o camarada foi falar com ele, o Cap. ouviu e deu
ordens para pagarmos os dez.
Já comecei bem.
Recebemos a
farda e foi nos dados cinco minutos, para vesti-la e entrar em forma, quando
descia a escada de acesso ao alojamento, encontrei o Guimarães se derretendo em
suor tentando calçar o coturno, ele era um pouco gordo, conseguiu e entramos em
forma, não sei se alguém passou do tempo.
Já instalado,
fazia parte do COAAe, central de tiro, estava de serviço de Cabo de dia, levei
os soldados Bateria em forma ao Rancho para almoçar, os recrutas só poderiam
entrar no rancho, vindo em forma.
Retornei e o Sgt
Deny ordenou que falasse aos Cabos antigos que estavam dormindo no alojamento,
descessem, disse para ele que os caras não iam aceitar muito minha fala, exigiu
que eu fosse, falei com eles, foi aquele horror, xingaram-me, esbravejaram, mas
desceram
[17:22,
19/04/2020] Edgard Pinto Neves: Terminou o curso de Cabo, ficamos em frente a
Bia limpando o pátio, aguardando o resultado e a promoção.
Saiu o
resultado!
Passei no curso
e outros companheiros, foi uma festa, nisso apareceu uma máquina fotográfica,
fizemos pose e colocamos a vassoura em ombro arma, um colega que também passou
na prova, o Castelo Branco, sobrinho do jornalista do JB que tinha o mesmo
nome, disse que não ia atrapalhar a nossa fotografia, mas se um de nós
candidata-se a presidente da República essa fotografia, apareceria.
Bem!
Ninguém
tirou a fotografia.
A vida seguia normal, era o ano de 1962, um ano
conturbado, o comunismo soviético fazendo as suas.
O 1Gan40 era uma
unidade de elite, junto com o Batalhão de Guarda, PE e a 5 Bgd Cav, o Capelâo
Carlos que sempre nos é possível beber café, foi Sargento na 6 Bgd, esses
quartéis davam sustentação ao governo federal, qualquer problema saíamos a rua
e normalmente permanecia no quartel trinta por cento do efetivo.
Tomamos conta do
edifício a Noite, rádio nacional e da exposição russa.
Um fato interessante ocorreu na exposição russa, no último dia, no encerramento, o Cap Castro Pinto ordenou que ninguém saísse fora das cortinas que envolviam a exposição, do lado de fora, arriariam a bandeira soviética e tocariam a internacional socialista, se fossemos lá fora, seríamos obrigados a prestar continência, ninguém saiu.
Num exercício na
quinta da Boa Vista, um cabo de uma outra Bia, deu sinal para segui-lo, deu um
passo, sumiu, logo a seguir apareceu cheio de gigoga, todo enlameado, o
mosquetão parecia um tronco de árvore cheio de lama, caiu num brejo que
circundava a Quinta.
Nesse mesmo dia,
um companheiro nosso, entrou na reserva do Cabo Pedro para pegar uma arma,
apanhou uma metralhadora INA, sem o cuidado devido, puxou o ferrolho e acionou
o gatinho, foi tiro para todos os lados, o Cabo Pedro, que era um cara
tranquilo, quase morreu do coração.
Acampamos na
Barra, junto ao canal, além não havia nada, só areia. Dei mole, fui pegar
goiaba no outro lado do canal, passei por cima de uma pinguela, o Sargento
corneteiro me viu, colocou-me de Cabo da Guarda do acampamento.
Fizemos várias
exercícios de tiro, lançamento de granada por mosquetão, tiro de ponto 50,
antes de atirar com o mosquetão e a metralhadora ponto 50, tivemos que
desmontar e montar, o mosquetão teve momento que montamos com os olhos
vendados.
Na praia da Barrra demos tiros de canhão 40 ml, Bolfor, Possuía três tipos de munição, traçante, perfurante, explosiva e festim, fui um dos responsáveis pelo preditor, esse aparelho dava a mira, colocava-se para calculo a velocidade do avião e a altura.
Para acionar o
canhão era necessário o remuniciador, o municiado, o artilheiro e o controlador
de tiro,responsável pelo preditor.
Tudo era feito
manualmente, principalmente o controlador de tiro, o predittor tinha a manivela
da altura do avião e outra da velocidade, porque a mira não era feita
diretamente no avião e sim num ponto aleatório a sua frente para que houvesse o
encontro do projetil com o objeto pretendido, nesse caso o avião.
O nosso grupo
atingiu o alvo, uma biruta puxada por um avião.
Consegui salvar
do YouTube tiro desse canhão
Uma noite no
acampamento na Barra foi tenso, na hora da janta, já perfilados para apanhar a
comida, o Comandante informa que a cozinha foi sequestrado pelo inimigo e não
haveria a janta, nem a ceia, o broxante, mate ruim para dedeu e pão.
Fomos então para
nossas barracas, pela manhã houve o resgate da cozinha e correu normal.
Voltamos para o
quartel após o acampamento.
Um dia o Comando
recebeu informações que grupos de terroristas planejavam atacar alguns
quartéis.
O Cap Comandante
ordenou a mim e a outro Cabo postar, cada um, uma metralhadora ponto 50 em
frente ao quartel, apontada para a Quinta da Boa Vista, com ordens de abrir
fogo, se aparecesse qualquer fração de tropa suspeita. Ficamos das 08 da manhã às
06 da tarde, cada metralhadora era composta pelo atirador, o comandante da peça
e dois soldados, o municiador e o remuniciador.
Graças a Deus
tudo foi tranquilo.
No meio do ano,
veio a oportunidade para inscrever na prova para Sargento, eu e muitos Cabos e
Soldados, nos inscrevemos.
Fizemos a prova,
somente eu de todo o quartel, BCs, 1Bia e 2Bia, passou.
Como na minha
vida, sempre há um empecilho, não fui matrículado no curso por não haver
previsão para a minha QM, 06:066, central de tiro antiaérea.
O Cap, meu
Comandante, chamou-me disse que procuraria fazer alguma, o Cap, Comandante da 1
Bia que estava perto e ouviu o meu problema, deu-me sugestão para procurar o
Gen. Comandante do 1 Exército que ele me ouviria, fui no Ministério e o Cap,
ajudante de ordem do Gen, atendeu-me e levou-me a uma sala cheia de Coronéis e
expôs o meu caso, disseram-me para o meu quartel enviar um rádio informando que
era necessário eu fazer o curso, pôs seria absorvido no serviço.
Enviaram o rádio
e fui matrículado.
Antes disso
participei do desfile de Sete de Setembro, tive o privilégio de desfilar
sozinho no canhão, sentado na cadeira do artilheiro e na hora da passagem em
frente ao palanque presidencial, quando no toque de apresentar armas, subiria o
cano do canhão colocando-o totalmente na posição vertical, eram três canhões, o
meu o do meio.
Sensacional.
Foi tirado uma
foto, mas ficou com quem tirou.
Fui fazer o
curso de Sargento no PqDepMatComElt.
Na eufórica
esqueci de me engajar.
No meio do
curso, quase no seu final, o Cap S1 do GCan, me chamou lá, disse-me que eu não
fazia mais parte do Exército, só não me dava a baixa por está fazendo o curso,
mas quando terminasse e fosse para o GCan, ele daria a minha baixa.
Fui ao Parque,
falei com o inefável Sargenteante Assunção, ele falou que ia falar com o
Coronel Moore, outra pessoa maravilhosa, disse para ele que ao término do
curso, não enviasse o ofício ao GCan,
que aguardasse a mudança de minha QM.
Se eu não
tivesse esquecido de engajar, teria terminado o curso e voltado ao GCan, seria
desligado do quartel por não haver vaga e tampouco minha nova QM não constava
no quadro de efetivo do GCan.
Terminei o curso
e não fui desligado do Parque, fiquei adido como efetivo fosse.
Demorou um pouco
a publicação no boletim do Exército a troca de minha QM.
O Cap S1 do GCan
chamou-me e disse que não esperaria mais, deu-me alguns dias para resolver.
Falei com o Assunção, falou para ir ao Ministério no E1, fui e expus minha
situação, o Sargento mandou eu sentar no banco e esperar.
Veio com o
boletim da transferência de minha QM.
Deus seja
louvado
No Parque
incumbiram-me de organizar o arquivo da Unidade, um Major viu meu trabalho,
gostou e transferiu-me para o Ministério, na DCE.
Num dia indo
para casa sofri um acidente, cai de uma certa altura e tive uma grave luxação
do joelho, a minha perna esquerda soltou do joelho e ficou embaixo de minha
coxa, senti dores terríveis, fui socorrido no Hospital Rocha Faria, não tinham
condições de fazer nada, enviaram-me para o Carlos Chagas, quando lá cheguei,
minha mãe e minha irmã estavam a minha espera.
Logo a seguir
dei entrada na sala de cirurgia, quando o médico ia aplicar a anestesia geral,
disse para ele ter cuidado comigo, porque eu tinha um sopro no coração, era de
estimação e era alérgico, apaguei.
Acordei na UTI,
grogue, vi três enfermeira conversando, chamei uma delas, ao chegar próximo a
minha cama, disse para ela que era muito simpática, voltei ao torpor, no retorno
vi que riam, chamei outra vez e perguntei-lhe o nome, como era surdo, ela
mostrou a plaqueta o nome estava, não vi direito o nome, mas achei que era
Joana Dark, voltei a inconsciência, tive alucinação, vi todo o acidente, soava
em bicas, mas o meu anjo, a Joana Dark, não saiu de minha cabeceira, continuou
em outra crise, senti-me gelado e com muito frio, colocaram vários cobertores
sobre mim e o gaiato aqui, bastante grogue, disse que Davi numa crise dessa
colocaram uma garota de dezoito ano ao lado dele, para aquecê-lo.
Apaguei, só
voltei, quando uma enfermeira tocou no meu braço e pediu para fazer silêncio,
acho que estava cantando.
No dia meu irmão
foi me visitar, o Jorge, não pode entrar na UTI, disse-me, depois, que eu era o
queridinho da turma, as enfermeiras chamavam-me de Edgarzinho.
No dia
31/12/1965 sai da UTI do hospital Carlos Chagas e fui para a enfermaria de
ortopedia do mesmo hospital.
Para quem chega
pela primeira vez é uma visão impressionante, parece uma enfermaria de guerra,
todos ou quase todos engessados, os que não estavam engessados, outros
amputados de algum membro, perna ou braços.
Instalador na
enfermaria, recebo a visita do meu anjo da guarda, a Joana Dark, fiquei
envergonhado, ela tocou em braço, perguntou como eu estava e disse a todos que
cuidassem de mim com todo carinho, acho que era chefe de enfermagem, quando foi
embora, foi uma zorra na enfermaria, todos me felicitando.
No outro dia
minha mãe foi me ver, brinquei com ela, pois era dia 01, disse que passamos um
réveillon sensacional regado a muita música e champanhe, tinha um bombeiro que
havia amputado a perna, fazia coro comigo nas brincadeiras.
No 03/01/1966
minha mãe foi ao Ministério falar com o Gen. R.O, Gen Rodrigo Otávio Jordão
Ramos, a fera, pedir a ele para me transferir do hospital Carlos Chagas para
minha casa, sem ir para o HCE, concordou.
'Minha mãezinha
querida, mãezinha do coração, te amarei por toda vida, com muita emoção".
Quando lembro de
minha mãe, meus olhos enchem de lágrimas.
Fui transferido
para minha casa numa viatura do Parque.
Quando cheguei
em casa, estavam os meus queridos, minha mãe, seu Oséias, Itinha, Theófilo,
Rita e o Jorge, meus eternos amores, esperando-me, foi uma emoção incontida,
com eles passei os melhores momentos da vida, infância, adolescência e
Juventude, éramos uma família unida e normal, tínhamos as nossas diferenças,
mas não influiam na harmonia da nossa vida.
Foram 45 dias
maravilhosos, ao fim, fui para o HCE tirar o gesso e fiquei 13 dias
hospitalizado.
A vida voltou ao
normal.
Conheci a Nerias
no IBER, Instituto Batista de Educação Religiosa, cursava música sacra
Conheci o IBER
no ano de 1961, quando estudava no Colégio Batista, ia sempre lá em suas
festividades.
No ano que
conheci a Nerias, 1967, em fevereiro fui ao Congresso da Juventude Batista
Mundial em Buenos Aires, Argentina, depois da tragédia da Serra das Araras.
Não me lembro a
data do evento, mas tive que solicitar ao Ministério do Exército autorização
para ir, na Polícia Federal tirei o passaporte.
No dia aprazado saímos
da Praça da Bandeira em ônibus, passamos por Trás Rios, Volta Redonda e Barra
Mansa saindo na Av Presidente Dutra, chegamos em São Paulo a noite, na parada
em São Paulo três pessoas queriam trocar as passagens de avião pelo o do
ônibus, não aceitei, continuei no ônibus, era mais cheguei.
Seguimos, na
subida da Serra das montanhas do Sul, a lua surgiu, linda como ela só, fui para
frente admirá-la.
Pela manhã
chegamos em Porto Alegre, onde ficamos hospedados no Colégio Batista de Porto
Alegre. Visitamos a cidade, a torre da antena de Televisão, onde descortinava o
Rio Guaíba e o estádio de futebol o Beira Rio.
No outro dia
seguimos viagem, passamos pela ponte do Guaíba, essa ponte, quando um navio
passa sob o vão, eles sobem divididos um para cada lado.
Seguimos,
passamos por Pelotas, Jaguarão, na divisa do Brasil com o Uruguai, atravessamos
a fronteira, junto a cidade de Jaguarão, há cidade de Rio Bonito do outro lado
da fronteira, no Uruguai.
Seguimos,
passamos por Treinta e Três, ali uma festa antecipando o carnaval. Chegamos em
Montevideo, ficamos, se não me engano, dois dias, visitamos a cidade de
Montevideo, após fomos para a cidade de Colônia, onde pegamos o barco para
atravessar o Rio da Prata, chegamos a Buenos Aires.
Fomos recebidos
e hospedados numa casa em Ciudadela.
No outro dia em
Buenos Aires, fizemos nossa inscrição no Congresso Mundial da Juventude
Batista, assistimos a abertura. Fizemos algumas amizades com jovens chilenas,
paraguaias e bolivianas, fomos passear pela cidade de Buenos Aires, andamos
pelas Calles, praça de Maio, Palácio do governo, a Casa Rodada e a tarde um
tour pelo rio Tigre de barco, conhecemos algumas ilhas, fomos ao zoológico e a
noite o culto no ginásio onde era realizado o congresso.
No domingo o
encerramento no estádio de futebol do Independiente, no final da noite fomos a
Igreja da jovem paraguaia, em Assumpcion.
O culto acabou
tarde, quando chegamos em Buenos Aires, o metrô estava fechado, não conhecíamos
nada e estava sozinho, optei pegar um ônibus, como tenho uma memória
fotográfica
Lembrei-me dos
bons escritores que, ao escreverem seus livros, fazem você ver mentalmente a
narrativa como se estivesse no local.
Pensando nisso,
procurarei escrever, descrevendo o local de forma o mais real possível.
Será que
conseguirei?
Voltei a labuta
diária na AMAN.
Em fevereiro
entrei de férias, viajei para Bauru.
Fiquei hospedado
na casa da Nerias e dormia no Gabinete Pastoral do Pastor Canuto.
Havia uma
poltrona de frente para a biblioteca, esta com excelentes livros, chamou-me
atenção o livro de Rui Barbosa, "Oração aos moços".
Copiei da
Willkipédia uma introdução ao livro.
"Oração aos
Moços é um discurso escrito por Rui Barbosa para paraninfar os formandos da
turma de 1920 da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo.
Impedido
Ela veio para o
Rio ao término das férias.
Ainda continuava
na AMAN.
Certo dia, foi
chamada pela diretora do IBER, informou que o conselho dos Pastores Batista de
São Paulo não continuariam a pagar sua bolsa de estudos na estituiçao de
ensino, por seu pai ter morrido e não sendo mais sócio dela.
A diretora disse
que não havia como solucionar o problema, sugeriu a Nerias falar comigo para eu
arcar com o pagamento do seu estudo, a pequena notável ficou uma arara.
Disse para a
diretora que os princípios ensinados por seu pai não permitiriam nunca tomar
uma atitude dessa, sabendo que se me procurasse eu pagaria, mas ela queria
estar presa a mim por sentimento, amor, não por dívida de um favor, se fosse
casada, não haveria problema, pois seríamos sócios
Lembrei-me dos
bons escritores que, ao escreverem seus livros, fazem você ver mentalmente a
narrativa como se estivesse no local.
Pensando nisso,
procurarei escrever, descrevendo o local de forma o mais real possível.
Será que
conseguirei?
Voltei a labuta
diária na AMAN.
Em fevereiro
entrei de férias, viajei para Bauru.
Fiquei hospedado
na casa da Nerias e dormia no Gabinete Pastoral do Pastor Canuto.
Havia uma
poltrona de frente para a biblioteca, esta com excelentes livros, chamou-me
atenção o livro de Rui Barbosa, "Oração aos moços".
Copiei da
Willkipédia uma introdução ao livro.
"Oração aos
Moços é um discurso escrito por Rui Barbosa para paraninfar os formandos da
turma de 1920 da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo.
Impedido
[11:36,
29/04/2020] Edgard Pinto Neves: Voltamos as nossas lembranças.
Após o
maravilhoso churrasco, preparamo-nos para o casamento na Igreja.
Antes porém, uma
sincera homenagem a uma pessoa maravilhosa, já falecida, a Nerias muito amava,
tanto que escolheu a data do aniversário dela para casar-se, ela providenciou
tudo, desde o vestido de noiva ao churrasco e a festa pós o casamento no
religioso, foi a divina e bela tia, a Kátia, saudades eternas.
Estávamos de
saída para Igreja, quando o Pastor que ia oficializar o casamento, chamou-me e
pediu-me para aguardá-lo enquanto almoçava, chegou aquela hora, estava em São
Paulo a serviço, não pode chegar antes.
Esperei e saímos
juntos para a Igreja.
Na Igreja fiquei
próximo ao altar esperando minha querida esposa adentrar no átrio da Igreja, só
quem passou por isso, sabe a eternidade desse momento.
Eis que inicia a
música nupcial, todos os presentes levantam-se e surgem as damas de companhia,
após a entrada, aparece deslumbrante num vestido branco, cheio de
madrepérolas e um longo véu a segui-la, a princesa dos meus olhos, a Nerias e
eles eram só para ela, não sei quem adentrou com ela na Igreja, tudo estava
opaco eu só a via.
Estava linda,
encantadora.
A tomei em meu
braço forte a dizer-lhe que a partir daquele momento, seria o seu protetor e
levei até o altar.
Houve a
programação de praxe, as colegas do IBER que vieram, cantaram Alma Gêmea, o
Pastor orou e nos deu a aliança para colocar em nossos dedos, depois abracei
pela cintura e rocei os meus lábios ao dela, nesse momento surgiu as Ducineias
que povoaram minha adolescência e Juventude, Iracema a virgem dos lábios de
mel, a Sulamita que tanto encantou Salomão, agora estava em meus braços firmes
como a rocha. Abracei e saímos para o último ato do casamento, a festa na casa
da vó
O cenário era
outro, algumas luzes em lugares diferentes e no centro um belo bolo todo
decorado, tiramos fotos atrás do bolo com todos os convivas. Brindamos o nosso
casamento com taças, mas com guaraná no lugar da champanhe.
Chegou a hora de
nossa despida, iríamos a busca da felicidade a dois.
Trocamos a roupa
e seguimos para rodoviária, onde pegaríamos o ônibus para São Paulo.
O carro que a
levou a Igreja e nos levou a rodoviária, foi providenciado pelo Wladimir.
Quando preparei
o convite para o casamento, escolhi um versículo bíblico que marcasse a nossa
união para sempre.
"Põe-me
como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é
forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas
de fogo, com veementes labaredas.
As muitas águas
não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos
os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam" Cânticos 8:6,7
[12:25,
29/04/2020] Edgard Pinto Neves: As férias terminaram, eis que ela está de
volta, o meu coração por ti gela.
Soube que ela,
suas colegas e minha mãe apresentariam um recital no Teatro da Universidade
Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, no Passeio, próximo a Lapa, fui com o coração
aos pulos.
Agora escrevendo
essas maus traçadas linhas, lembrei-me de uma música de Isaurinha Garcia, Pé de
Manacá.
Pé de Manacá
Isaurinha Garcia
"Pé de
Manacá”
Lá detrás
daquele morro tem um pé de manacá.
Nós vam' casá e
vam' prá lá.
'Cê quer? 'cê
quer?
Eu quero te
levar, eu quero te agradar
Eu quero me
casar e te levar prá lá.
'Cê vai? 'cê
vai?
Eu 'panho toda
"fro" do pé de manacá
E faço uma coroa
para te enfeitá
'Cê quer? 'cê
quer?
As colegas da
Nerias, quando me viram, ficaram todas contentes e levaram-me a ela.
Perguntei-lhe
qual era sua resposta ao meu pedido de casamento.
Ela disse que
seus pais aprovaram, seu avô também, sua vó disse que por eu estudar no
Seminário Teológico Batista Betel do Rio de Janeiro tinha todos os requisitos
para ser um bom esposo.
Convidei para
caminharmos um pouco na calçada em frente ao Passeio, como já era tarde, não
fomos muito longe e cantei a música de Tito Madi, Quero-te assim.
Em outras
ocasiões cantava essa música para ela.
A vida corria
tranquila, próximo ao Natal, convidou-me para ir a Bauru e conhecer sua
família.
Fui, só consegui
chegar na Rodoviária Novo Rio no dia 23/12/1967, a noite, não havia passagem
para São Paulo em nenhuma companhia de ônibus, vi que no guichê da viação Cometa,
havia gente aguardando alguma desistência de pessoas que reservaram passagem,
como estava só, consegui uma passagem, paguei e embarquei para São Paulo
Lá chegando,
outro drama, para Bauru, se não me engano, só havia uma viação de ônibus,
Espresso de Prata, só tinha passagem para depois do dia 25.
Soube que havia
um trem para Bauru, lá fui eu para a estação do trem.
Não tinha
conhecimento que o paulistano ao ser indagado por alguém como chegar algum
lugar, ele daria a direção errada, como todo carioca sou solicito a informar
certo a direção correta do destino desejado, procurei um transeunte como chegar
a Bauru, por maldade, indicou-me Sorocaba, comprei a passagem, mas fiquei em
dúvida como fazer em Sorocaba para
chegar em Bauru, perguntei a uns guardas, eles disseram para eu vender a
passagem e ir para Estação da Luz, sairia um trem para Bauru em poucos minutos,
agradeci, vendi a passagem, com ajuda do guarda e fui para a Estação da Luz,
comprei a passagem, embarquei no trem e sentei.
O trem partiu e
fomos nós, como Dom Quixote, a busca de nossa linda Dulcineia.
Chegamos em
Bauru, hospedamos no hotel em frente a estação do trem. Tomamos um belo banho,
vesti um jaquetão de seis botões e todo faceiro fui ver a bela amada.
Cheguei na
primeira Igreja Batista de Bauru, não era ali, a Igreja Batista Bereana ficava
numa rua perpendicular a da Primeira Igreja, consegui achar a rua e lá de cima
avistei um pequeno número de pessoas em frente a Igreja, vi chegando a Nerias
junto com a avó, disse-me ela depois que a vó viu e disse para ela que eu
estava chegando.
Cumprimentei as
duas, algumas pessoas que ali estavam e depois seus familiares, entrei na
Igreja e sentei-me ao lado de seu avô.
Após o culto
apresentou-me ao pai e ao seu irmão, Wladimir, Cadete da Academia de Polícia de
São Paulo
O pai
perguntou-me, onde estavam minhas malas, para levar para sua casa, disse que
estavam no hotel, pediu ao Wladimir para cancelar a hospedagem no hotel e levar
minhas malas para casa.
Participamos da
ceia do Natal em família.
Dormir no
Gabinete de estudo do Pastor Canuto, uma bela noite de sono na casa da minha
namorada. Durante a noite fui ao banheiro, lá vi um bidê, não sabia para que
servia, pensei que era um mictório, urinei nele.
Contei depois
para a Nerias, riram bastante de mim.
Passeamos pela
cidade de braços dados, conhecemos algumas praças, fomos a casa dos avós e a
noite voltei para o Rio,. antes, o pai da Nerias convidou-me para fazer uma
série de conferências em sua Igreja no período de minhas férias em fevereiro, aceitei.
Voltei para o
Rio feliz da vida e enamorado
Ecos do
casamento na Igreja.
A tia da Nerias,
a Ruth, não pode estar presente, estava grávida da Tatiana, teria que viajar,
poderia colocar em risco sua gravidez, enviou, como sua representante, a filha,
a Cláudia, esta com três anos. Disse a Ruth mais tarde para Nerias que
perguntou a Cláudia como foi o casamento, ela disse que tudo estava muito
bonito, só não gostou do noivo, pôs ficou o tempo todo com um radinho de pilha
no ouvido.
Chegamos em São Paulo pela manhã e fomos para
um hotel recomendado pela Katia, bem no centro de São Paulo, não me lembro o
nome, fomos para o quarto e dormimos, estávamos muito cansados.
Ainda pela
manhã, recebemos o telefonema da portaria, se desejávamos tomar o café no
quarto, aceitamos, logo chegou o atendente com o nosso café
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